Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) - imazon.org.br
05 de Dez de 2025
Dos 48 mil hectares com exploração madeireira no Amazonas, 20 mil não tinham autorização dos órgãos ambientais para a atividade. Ou seja, 43% da área com retirada de madeira no estado é ilegal. Esse foi o resultado de um estudo que mapeou, por meio de imagens de satélite, a extração madeireira no estado e cruzou com as autorizações para a atividade emitidas pelos órgãos ambientais, abrangendo o período de agosto de 2023 a julho de 2024.
A pesquisa é realizada anualmente pela Rede Simex, composta atualmente por três organizações ambientais: ICV, Imaflora e Imazon. Em relação ao levantamento passado, quando 38 mil hectares tiveram exploração de madeira sem autorização, entre agosto de 2022 e julho de 2023, houve uma queda de 9% na ilegalidade.
"Essa alta é extremamente preocupante, pois a exploração ilegal de madeira acaba financiando outros crimes ambientais, como as queimadas e o desmatamento. Além disso, também prejudica o mercado legalizado de madeira, que faz a remoção das árvores por meio do manejo florestal sustentável e gera empregos e impostos para o Amazonas", alerta Camila Damasceno, pesquisadora do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon.
Exploração madeireira no Amazonas
Categoria Área (Hectares) 2022-2023 Área (Hectares) 2022-2023 Variação
Autorizada 11.353 27.235 140%
Não autorizada 38.684 20.934 -45,9%
Total 50.037 48.169 -3,7
Já em relação à exploração autorizada, o Amazonas passou de 11,3 mil hectares entre agosto de 2023 e julho de 2023 para 27,2 mil hectares entre agosto de 2024 e julho de 2023, o que representa uma alta de 140%. Com isso, a extração de madeira total, somando autorizada e não autorizada, passou de 50 mil para 48,1 mil hectares, uma redução de 3,7%. "A alta na atividade legalizada é positiva, mas ressalto novamente que precisamos reduzir a exploração ilegal", alerta Camila.
Outro ponto de preocupação, segundo a especialista, é que a exploração ilegal de madeira vem invadindo áreas protegidas do estado, como terras indígenas e unidades de conservação. "A entrada de invasores para retirada de madeira desses territórios ameaça os povos e comunidades tradicionais, que dependem da floresta em pé para manter seu modo de vida", completa.
Conforme o estudo, 29% da retirada de madeira irregular (5,9 mil hectares) ocorreu em áreas protegidas, sendo 20% em terras indígenas (4,1 mil hectares) e 9% em unidades de conservação (1,8 mil hectares). Isso representou uma queda de 19% na exploração ilegal em áreas protegidas em relação ao estudo anterior, quando foram mapeados 6,9 mil hectares, dos quais 6,4 mil em terras indígenas.
"Apesar da redução, o mapeamento revelou uma área superior a 5 mil campos de futebol com exploração madeireira ilegal em terras indígenas e em unidades de conservação, o que reforça a urgência de proteger as áreas protegidas contra esse crime ambiental", alerta Camila.
Carlos Souza Jr. aponta que "programas como o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) precisarão considerar a degradação florestal causada pela extração ilegal de madeira". Além das emissões de carbono resultantes da degradação, há perda de biodiversidade e conflitos sociais com a extração ilegal de madeira, reforça Souza Jr.
Áreas protegidas com exploração ilegal de madeira no Amazonas (2023-2024)
Categoria Nome Hectares %
Terra Indígena Kaxarari 1.748 29
Unidade de Conservação Parque Nacional Mapinguari 1.591 26
Terra Indígena Tenharim Marmelos 1.374 23
Terra Indígena Médio Rio Negro I 398 7
Terra Indígena Diahui 354 6
Terra Indígena Jacareúba/Katauixi (restrição uso) 283 5
Unidade de Conservação Floresta Nacional do Iquiri 213 4
Terra Indígena Tenharim Marmelos (Gleba B) 24 0
Total 5.650 100
Maior parte da exploração ilegal ocorreu em imóveis rurais
Os imóveis rurais presentes em bancos de dados públicos, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Sistema de Gestão Fundiária (Sigef) e o Programa Terra Legal, foram responsáveis por 13,1 mil hectares da área com exploração irregular de madeira, representando 63% do total. "Isso significa que os órgãos públicos possuem dados para fiscalizar e punir a atividade ilegal nessas áreas", comenta Camila.
Outra categoria que chamou a atenção dos pesquisadores em relação à retirada ilegal de madeira no Amazonas é a de florestas públicas não destinadas, com 1,1 mil hectares (5%). Por isso, destinar essas terras a povos e comunidades tradicionais ou à conservação é uma ação urgente de proteção do patrimônio público e ambiental dos amazonenses e dos brasileiros.
Categorias fundiárias com exploração ilegal de madeira no Amazonas (2023-2024)
Categoria Fundiária Hectares %
Imóveis rurais privados 13.124 63%
Terras Indígenas 4.180 20%
Unidades de Conservação 1.804 9%
Terras não destinadas 1.126 5%
Assentamentos rurais 369 2%
Vazios fundiários 331 2%
Boca do Acre e Lábrea concentram 75% da exploração ilegal
Apenas dois municípios do sul do estado, Lábrea e Manicoré, concentram 66% de toda a exploração de madeira ilegal do Amazonas. O líder do ranking, Lábrea, teve 11,7 mil hectares explorados irregularmente, o que corresponde a quase metade do total. Já Manicoré, que ocupa o segundo lugar, teve 2,5 mil hectares com retirada de madeira ilegal, 10% do total. "Esses municípios ficam dentro da região de expansão agropecuária chamada de Amacro, na divisa do Amazonas com o Acre e com Rondônia. Por isso, alertamos que a extração de madeira nesses territórios pode indicar o desmatamento futuro para a grilagem ou para a produção de grãos e de gado, o que reforça a necessidade de ampliar a fiscalização nesses municípios e barrar a entrada de produtos ilegais no mercado", afirma Camila.
10 municípios com mais exploração ilegal de madeira no Amazonas (2023-2024)
Município Hectares %
Lábrea 11.734 56,05%
Manicoré 2.058 9,83%
Humaitá 1.575 7,52%
Novo Aripuanã 971 4,64%
Rio Preto da Eva 903 4,31%
Itapiranga 787 3,76%
Canutama 525 2,51%
Iranduba 482 2,30%
Barreirinha 405 1,93%
São Gabriel da Cachoeira 398 1,90%
Clique aqui para ver o boletim da exploração madeireira no Amazonas (2023-2024)
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