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No AM, policiais espancaram indígenas que proíbem a pesca esportiva no território Torá/Munduruku

Conselho Indigenista Missionário - Cimi - www.cimi.org.br
Autor: J. Roscha
16 de jul de 2015

Vários indígenas espancados e um menor de 15 anos mantido algemado sob o sol durante várias horas. Esse foi o saldo de uma ação policial que ocorreu nessa segunda-feira (13), na aldeia Vista Alegre, da Terra Indígena (TI) Torá/Munduruku do rio Marmelos, localizada no município de Manicoré (AM), distante da capital, Manaus, cerca de 350 quilômetros.

De acordo com relato dos indígenas à equipe do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) que atua na região, na manhã de segunda-feira chegou de Humaitá um barco com vários agentes das polícias Civil e Militar, por eles identificados como Ceiton Cruz, Paulo Humbelino, Anderson Gomes, Roberto Lobo, Elisan, Rosana Correia, Evanildo, Tatiane e Denis, entre outros não reconhecidos. Os indígenas disseram que os policiais estavam fazendo a escolta de uma empresa de turismo que promove excursões e pesca esportiva dentro da TI.

Em frente à aldeia Vista Alegre houve o confronto com os policiais. Os povos Torá e Munduruku não aceitam a entrada da empresa de turismo em seu território porque, de acordo com os indígenas, a presença de estranhos compromete a variedade de pescado do qual se alimentam as comunidades, afugenta a caça e provoca outros impactos sociais e ambientais.

Os feridos relatam terem sido agredidos inclusive com spray de pimenta, razão pela qual muitos teriam passado mal. Thome Munduruku, da aldeia Pau Queimado (foto), chegou a ser agredido com um pedaço de ripa.

Desde o dia 4 de julho uma empresa de turismo do segmento de pesca esportiva está tentando entrar no rio Marmelos. Essa empresa já promove a entrada de não indígenas no território dos Tenharim da Terra Indígena Marmelos, localizada na BR-230 (Transamazônica).

No período da Conferência Local de Política Indigenista, realizada na aldeia São José, ficou acordado que haveria uma reunião com todas as aldeias do Baixo Marmelos para esclarecimento de um suposto contrato de pesca. Isso não aconteceu. No dia 4/7, representantes da empresa disseram que entrariam no território e que se os indígenas os impedissem, haveria repressão por parte da polícia.

Essa postura causou revolta e levou a comunidade a decidir pelo impedimento da entrada dos turistas. Por essa razão, a força policial foi mobilizada e, após várias incursões nas aldeias, inclusive com a presença de servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), aconteceu o confronto na aldeia Vista Alegre.

A Terra Indígena Torá/Munduruku do rio Marmelos é uma das 170 no Amazonas que se encontram sem providências para demarcação por parte do governo federal. Ali se localizam as aldeias São Raimundo, Pau Queimado, Vista Alegre, São José, Baixo Grande, Vera Cruz e Laguinho, onde vivem mais de 400 indígenas Torá, Munduruku e Mura.

http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&action=read&id=8214

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