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Nível baixo de represas põe Sabesp em alerta

OESP, Metrópole, p. C9-C10
06 de Out de 2007

Nível baixo de represas põe Sabesp em alerta
Sistema Cantareira está com apenas 33,5% de sua capacidade

Eduardo Reina

A Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) está em estado de alerta. As principais represas que abastecem São Paulo registram nível de armazenamento muito baixo. E a previsão do tempo para chuvas não é nada animadora. Devem ocorrer com mais força somente no final de outubro. De acordo com o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, a campanha para uso racional de água será intensificada na mídia. Mas também há a possibilidade de remanejamento entre as represas que estiverem com nível de água mais alto.

"Como todo nosso sistema é integrado, podemos fazer o remanejamento de água quando houver necessidade. Estamos no estágio de intenso monitoramento da situação e também de aumentar a campanha de uso racional. O momento é de muita atenção, mas a situação ainda não justifica medidas drásticas", afirmou Oliveira.

O monitoramento citado por Oliveira é o acompanhamento diário do consumo, cujos dados são cruzados com os números da quantidade de chuva e temperatura. "O nível de temperatura afeta o consumo da população." A Sabesp produz hoje cerca de 67 metros cúbicos por segundo de água tratada. O presidente da companhia disse que o sistema produtor de água na região metropolitana está hoje no "estágio 1". "Ainda não é preciso entrar no estágio 2, de remanejamento entre as represas."

O Sistema Cantareira, que abastece 55% da capital e Região Metropolitana de São Paulo (8,8 milhões de pessoas), estava ontem com 33,5% de sua capacidade. Há um ano, as seis represas que compõem o complexo registravam 40,6% nesse mesmo período. Em fevereiro último, atingiu o maior nível desde outubro de 2006, 51,6%, e depois veio caindo gradativamente por causa do alto consumo e da estiagem.

A pior fase nos últimos 30 anos do Cantareira foi registrada no dia 5 de outubro de 2003, quando o sistema chegou a 9,2% de sua capacidade, muito próximo de entrar em colapso.

Além da escassez de água, o principal sistema produtor de água paulista também enfrenta a ocupação irregular de suas margens e poluição. São 57% do seu território alterado por atividades humanas, segundo estudo do Instituto Socioambiental (ISA). Mais de 80% do esgoto produzido é despejado sem tratamento na represa.

O governo do Estado não possui aparato para fiscalizar e coibir a ocupação no entorno da Cantareira. De acordo com documento enviado por Maria Therezinha Alves, diretora do Departamento de Uso do Solo Metropolitano (Dusm), da coordenadoria de licenciamento ambiental e de proteção de recursos naturais da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, "a equipe técnica da Cantareira conta com dois técnicos que analisam e fazem vistorias", o que dificulta a fiscalização.

"Face ao reduzido número de técnicos, não existe uma periodicidade de vistorias, que são realizadas em atendimento às demandas do Ministério Público, polícia e denúncias recebidas de particulares", informou Maria Therezinha, em resposta a requerimento do deputado estadual Mário Reali (PT), feito sobre reportagem do Estado que em abril denunciou ocupação irregular no local.

Outra grande represa, a Guarapiranga, estava ontem com 38,5%, contra 40,6% de sua capacidade em outubro de 2006. Menos preocupante é a situação da Billings, que ontem atingiu 70,2%, contra 86,3% de outubro do ano passado.

O nível do Sistema Rio Claro registrou ontem 32,9%, Alto Tietê 47,5% e o Alto Cotia 62,4%. Apesar dos níveis diferentes, em comum em todos os seis sistemas há a chuva acumulada: zero nos últimos dias.

Grande SP só deverá ter chuva na segunda quinzena
Em todo o Estado, cerca de 650 mil pessoas já enfrentam restrições no abastecimento de água

Eduardo Reina

A previsão do tempo para os próximos dias não é muito animadora para a região metropolitana de São Paulo. De acordo com o meteorologista André Madeira, da empresa Climatempo, são esperadas chuvas mais fortes apenas para a segunda metade de outubro. "Espero que, a partir da segunda quinzena, a coisa melhore." Enquanto isso, as represas que abastecem a cidade continuam minguando. E, em todo o Estado, pelo menos 650 mil pessoas já sofrem com o racionamento de água ou passam por restrições no consumo.

Na Grande São Paulo, um dos casos mais graves, além da Cantareira, é o da Guarapiranga, na zona sul, que há cinco meses estava com 70,6% de sua capacidade e ontem chegava a 38,5%. Esse sistema abastece cerca de 3,8 milhões de pessoas na capital e Grande São Paulo.

O nível das represas na região metropolitana só não é pior porque em julho choveu muito mais que a média, ultrapassando em 274% a quantidade normal para o mês. Houve 148,3 milímetros de precipitação, quando o normal é 39,6 mm. De lá para a cá, a situação piorou. Agosto não teve chuvas. "Desde 1943 não era observado isso", disse Madeira. Em setembro, choveu 15,7 milímetros, ante 73,9 mm de média para o mês.

INTERIOR

No resto do Estado, as restrições no consumo de água já começaram há bastante tempo. A população de Itu enfrenta racionamento desde o início do mês, mas, em Sumaré, o rodízio começou no fim do ano passado.

Os moradores de Indaiatuba estão em estado de alerta. A empresa de abastecimento local vai esperar até o fim de primeira quinzena de outubro para definir se adotará rodízio. É esperado que as chuvas possam recompor os mananciais locais. Em São Pedro, a estiagem levou à suspensão do abastecimento das 13 às 17 horas.

A estiagem fez a prefeitura de Santa Cruz das Palmeiras fixar multa para o morador que desperdiçar água, além de adotar o racionamento - o abastecimento está suspenso das 6 às 18 horas. A multa é de R$ 350, e começou a valer na última semana de setembro. Reincidentes pagam R$ 355,75. A fiscalização é acompanhada pela Guarda Municipal.

No município de Colina, a prefeitura também definiu a punições pelo desperdício de água. Pelo decreto, o morador recebe até duas notificações. Os reincidentes serão multados em 50% do salário mínimo (R$ 190).

OESP, 06/10/2007, Metrópole, p. C9-C10

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