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"Ninguém do governo foi na aldeia falar com a gente", dizem índios

Amazônia.org
Autor: Thais Iervolino
21 de mai de 2008

Grupos indígenas que participam do Encontro Xingu Vivo para Sempre, em Altamira, disseram hoje (21) que em nenhum momento foram consultados com relação à construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Segundo um índio da tribo Kayapó, a Eletrobrás nunca sinalizou nenhum diálogo com os índios. "Estamos aqui para dizer a eles [governo] que somos contra a barragem", disse.

A declaração foi feita um dia após a ameaça dos indígenas ao coordenador do projeto de Belo Monte da Eletrobrás, Paulo Fernando Vieira Rezende que resultou em um corte no braço do representante.

Este incidente aconteceu depois de sua explanação, na qual ele defendeu a construção da usina. "Há 20 anos, o governo não levava em conta os índios e as questões ambientais, agora é diferente", explicou. Mesmo com essa fala, índios e ambientalistas afirmam que o governo, assim como a Eletrobrás, nunca dialogaram com os indígenas a respeito do projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte.

Segundo o padre Renato, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que trabalha há anos com os povos indígenas do Xingu, a reação dos índios é uma resposta ao abandono do governo. "Eles [índios] vem aqui com expectativas. Eles nunca foram ouvidos e quando há uma possibilidade de diálogo, eles ouvem uma fala agressiva por parte do governo", revelou.

O evento

Com o objetivo de discutir o projeto de construção da Hidrelétrica de Belo Monte, planejada pelo governo, mais de mil pessoas, entre indígenas, ribeirinhos, ambientalistas e interessados pelo tema estão reunidos em Altamira, no Pará, para o Encontro Xingu Vivo para Sempre, que acontece até sexta-feira (23).

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