JB, Internacional, p.A12
23 de Jul de 2004
Nativos protegem florestas
GENEBRA - As comunidades nativas e outros habitantes das florestas tropicais de todo o mundo não têm recebido a atenção que merecem, não apenas no que diz respeito aos diretos humanos, mas também se for considerada a sua importância na preservação da natureza. A conclusão é do relatório Who Conserves the World's Forests? entregue ontem pela ONG americana Forest Trends em Genebra, na reunião que discute o Acordo Internacional de Madeira Tropical.
A preservação feita por essas populações é muito mais efetiva e menos custosa porque nativos e populações tradicionais conhecem mais os ecossistemas e seus recursos, além de essas áreas serem maiores, abrigando mais espécies e animais de grande porte. Partes consideráveis dessa áreas que deveriam ser protegidas são habitadas e não estão em áreas de proteção ambiental.
Essas regiões também abrigam grande variedade de dialetos, que seriam perdidos com a dispersão das populações.
O relatório defende que o controle de atividades ilegais como extração irregular de madeira nestas regiões é contraproducente, porque os interesses políticos acabam por burlar as proibições que só atingem as populações mais pobres, que têm bem menos impacto ambiental do que os outros e sugere que a política em relação a estes povoados deve ser revista.
Os 238 milhões de pessoas das populações nativas e tradicionais pertencentes às áreas de floresta do mundo estão principalmente na América Latina, Asia, na África Subsaariana e em parte da floresta boreal. E de acordo com os pesquisadores, 23% das reservas ambientais da América Latina e 33% das da África estão nas mãos de estrangeiros. Eles apontam que hoje 22% das florestas de países desenvolvidos são de propriedade ou de administração da comunidade e que esta área deve dobrar nos próximos 10 anos.
A Forest Trends defende que a posse e o acesso às áreas e recursos são peças-chave para a conservação e que os governos deveriam criar políticas de ajuda para estas populações que são de maneira geral muito pobres.
Um exemplo de como o sistema atual precisa de melhorias é o caso do Nepal, no qual produtores de papel artesanal e de plantas medicinais vendem seus produtos nos mercados regionais e até os exportam, sem levar retorno às florestas himalaias. A ONG sugere a criação de estruturas que promovam o compromisso destas populações com o ambiente e que auxiliem as comunidades, como Comissariados para as Florestas.
Declara-se que mesmo que alguns países - como o Brasil - transfiram significativas áreas da floresta para populações nativas ou locais, ainda há muitas áreas degradadas ou convertidas para outras utilizações.
De acordo com o relatório, análises geográficas por sensoreamento remoto e mapeamento digital mostram significativas restaurações da floresta em regiões de planalto e em áreas com algum pasto extensivo, mesmo em locais de crescimento de população.
JB, 23/07/2004, p.A12
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