O Globo, Ciência, p. 26
29 de Jul de 2009
'Não temos mais tempo para falhar'
Para representante da ONU, acordo climático é cada vez mais urgente
Carlos Albuquerque
Após o fracasso do recente encontro entre países do G-8 e emergentes, em Áquila, na Itália, o mundo tem cada vez menos tempo para construir um novo acordo para suceder o Protocolo de Kioto, que expira em 2012. "Não temos mais tempo para falhar", diz o SubsecretárioGeral de Comunicação e Informação Pública da ONU, Kiyo Akasaka.
Segundo ele, o clima no mundo pode ficar desprotegido a partir de 2013, como um carro andando nas ruas sem seguro, caso as divergências entre países ricos e em desenvolvimento persistam e não seja acertado, na reunião de cúpula da ONU, em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, um novo acordo.
- No pior cenário possível, se não houver um acordo, o que seria inconcebível, depois de 2012 não haverá nenhum mecanismo internacional para regularizar as emissões de gases poluentes. Isso tornaria as coisas extremamente difíceis para combatermos o aquecimento global em todos os níveis necessários - diz ele, que está no Rio para participar do Seminário Internacional de Mídia sobre a Paz no Oriente Médio. - Para evitar tal cenário, precisamos de um novo acordo ainda este ano.
Em Áquila, ricos e emergentes não conseguiram desatar o nó das responsabilidades. Os países do G-8, os grandes responsáveis pelo aquecimento global, concordaram em reduzir suas emissões em 80% até 2050, em relação aos níveis de 1990. Mas vincularam isso a uma redução dos países em desenvolvimento em 50% no mesmo período. Estes só aceitam fazer reduções se tiverem ajuda financeira. Apesar desse impasse, Akasaka acredita que tudo pode ser resolvido nos poucos meses que antecedem a reunião na Dinamarca.
- Ainda há tempo para dissolvermos esse nó. Mas para isso, sem dúvida, os ricos precisam oferecer mais - afirma. - Antes de Copenhague, teremos um encontro em setembro, na sede da ONU, em Nova York, no qual esperamos debater e avançar em temas cruciais como adaptação, financiamento e transferência de tecnologia. Isso deve nos preparar melhor para Copenhague. Mas as negociações serão intensas e não descarto um acordo no último minuto do último dia.
O Globo, 29/07/2009, Ciência, p. 26
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