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Não há consenso sobre rodízio, diz secretário

OESP, Metrópole, p. E5
05 de abr de 2014

Não há consenso sobre rodízio, diz secretário
Novo chefe da pasta de Recursos Hídricos de São Paulo afirma que a água disponível é suficiente para o abastecimento até setembro

O novo secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Marco Antonio Mroz, disse ontem que não há consenso no governo paulista sobre a necessidade de adotar o racionamento de água no Estado." Essa questão não está cristalizada no governo. Não há um consenso sobre isso", afirmou Mroz, que é filiado ao PV e era o adjunto da pasta.
A adoção de medidas restritivas para o uso da água do Sistema Cantareira foi defendida pelo presidente da Agência Nacional de Águas( ANA), Vicente Andreu. Ontem, o volume de água armazenado no principal manancial paulista, que abastece 47% da Grande São Paulo e a região de Campinas, caiu para 13,2% da capacidade, o mais baixo até agora. Há um ano, esse índice era de 62%.
Mroz, que assumiu a secretaria em substituição a Edson Giriboni, candidato a deputado federal pelo PV nas eleições de outubro, disse acreditar que a água disponível é suficiente para levar o abastecimento até setembro. "Se chover um pouco, vamos chegar até outubro, quando começa um novo ciclo hidrológico. "Na avaliação dele, a situação dos mananciais que abastecem a Grande São Paulo ainda está melhor do que a do sistema de geração de energia de Furnas, no sul de Minas.
Segundo Mroz, as medidas técnicas possíveis já foram tomadas pelo governo para o máximo aproveitamento da água. "Estamos usando o Sistema Guarapiranga, que tem bastante água, e preparando para usar o volume morto (água que fica abaixo do nível dos túneis de captação) quando for necessário."
O secretário disse também que o foco do governo é aumentar a disponibilidade de água para abastecer a Região Metropolitana. "Queremos discutir o compartilhamento de água que está disponível", disse, citando o plano do governo de captar água na Bacia do Rio Paraíba do Sul para abastecer a Grande São Paulo e que enfrenta resistência do governo do Rio.
"Já estamos fazendo isso no Vale do Ribeira, com o Sistema São Lourenço", disse ele, sobre a Parceria Público-Privada (PPP) que vai captar 4,7 mil litros por segundo a 83 quilômetros da Região Metropolitana, no Rio Juquiá, para a estação de tratamento em Cotia. As obras começam neste mês, e a previsão é iniciar a operação em 2018.
Situação crítica. Relatório diário do comitê anticrise que monitora o Cantareira mostra uma situação ainda mais crítica nas duas principais represas do sistema. Considerados o coração do manancial, os reservatórios Jaguari e Jacareí, na região de Bragança Paulista, estão com apenas 5,8% da capacidade, o mais baixo já registrado. Juntos, eles representam 82% da reserva de água do Cantareira.
Após o verão mais seco desde 1930, quando a medição começou a ser feita, as chuvas no Cantareira voltaram a ficar perto da média histórica em março. No entanto, o volume previsto para o período seco, que começa na segunda quinzena deste mês,é insuficiente para recuperar os níveis dos reservatórios.
Segundo o comitê anticrise, foi a vazão afluente de 5,4 mil litros por segundo registrada no mês passado na barragem Paiva Castro, entre Franco da Rocha e Mairiporã, que"contribuiu significativamente" para a redução do volume de água retirado das represas Jaguari e Jacareí, que poderia estar ainda mais seco. O problema é que a Paiva Castro representa apenas 0,7% de toda a capacidade do Sistema Cantareira./Colaborou Gabriela Vieira

'É impossível tirar água do Paraíba do Sul', diz Pezão

Thaise Constancio

Empossado ontem como governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB) afirmou que não há como viabilizar a captação das águas do Rio Paraíba do Sul, como foi pedido pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). "Não vejo qualquer outra destinação (para as águas), a não ser a que já é feita pelos Estados do Rio e de Minas Gerais. Não vou medir esforços para que continue assim."
O tema é a principal divergência entre os Estados desde que a proposta foi anunciada como alternativa para períodos de seca no Sistema Cantareira. Pezão disse que os técnicos do Rio, de São Paulo e da Agência Nacional de Águas (ANA) ainda precisam se reunir para analisar a proposta. "Hoje é impossível retirar água do Paraíba do Sul. São Paulo tem outras saídas, outros projetos para resolver o problema", afirmou o governador.
A Secretaria de Estado do Ambiente do Rio (SEA) ainda não recebeu nenhum estudo sobre a captação proposta pelo Estado de São Paulo.

OESP, 05/04/2014, Metrópole, p. E5

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