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Não acredito em apagão e espero que isso não aconteça

OESP, Economia, p. B4
Autor: MORAES, Antônio Ermírio de
31 de jan de 2007

'Não acredito em apagão e espero que isso não aconteça'
Para empresário, críticas ao PAC são exageradas, mas governo deve fazer alguma coisa para liberar projetos de hidrelétricas

Entrevista Antonio Ermírio de Moraes, presidente da CBA

José Maria Tomazela
Aluminio

O presidente da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Antonio Ermírio de Moraes, disse ontem, em Alumínio, que não acredita que um novo "apagão" possa ocorrer, mas criticou o governo por haver projetos de hidrelétricas "empacados". Ele citou o caso da Usina Hidrelétrica Tijuco Alto, que sua empresa tenta construir no Rio Ribeira, na divisa de São Paulo com o Paraná, há mais de 15 anos.

O empresário disse que as críticas ao Programa de Crescimento Econômico (PAC) são exageradas e defendeu uma participação maior da classe empresarial no crescimento do País. "Com ou sem PAC, você tem de acreditar no País e fazer. O que aprendi nos meus 55 anos de trabalho é que o governo é o último a tomar as providências. Se você não tem vontade ou força própria, fica discutindo a vida inteira e nada faz."

Ele criticou os governadores por exigirem "benesses" em troca da aprovação do programa.

Um relatório do próprio governo alertou para o risco de apagão caso a economia cresça no ritmo desejado pelo PAC. O risco existe?

Eu, pessoalmente, não acredito em apagão e espero que isso não aconteça, pois cada apagão demora 10 anos para ser recuperado. Cabe às autoridades governamentais tomarem a iniciativa e liberarem o mais depressa possível, e de forma responsável, a construção de novas usinas (hidrelétricas).

Que não aconteça com o Brasil o que acontece em Tijuco (Alto), onde o maquinário está comprado há sete anos e não conseguimos lançar um metro cúbico de concreto nessa hidrelétrica. Fizemos mais de 15 viagens a Brasília, mas não adianta. Está empacada, atolou na lama. Se continuar dessa maneira, é melhor nós mudarmos de País. Tenho esperança. Se não tiver energia, não tem alumínio. Se não tiver investimento em infra-estrutura, o Brasil não cresce, e aí nós estamos perdidos. Mas o governo está alerta para isso.

O sr. acredita que o governo vai cumprir as metas propostas no programa?

Há essa possibilidade. Independentemente de quem seja o presidente, o Brasil deve crescer, porque o brasileiro tem capacidade para investir. Basta evitar o excesso de endividamento e investir recursos próprios. Eu vejo muita gente iniciar um negócio, dizendo: se eu não pego dinheiro do BNDES, eu não faço nada. O excesso de ajuda também é prejudicial.

Acho errado esse negócio (dos governadores) de dar apoio em troca de um monte de benesses. Claro que a intenção de cada governador é puxar para seu Estado. Mas se o governador coloca que ' se não der, eu não faço nada', é uma boa desculpa para não fazer nada.

Não se pode jogar no governo toda a responsabilidade pela execução do programa. Esperar que o governo vai dar tudo para você é uma doce ilusão. Seria muito agradável dizer 'eu não sou culpado, quem é culpado é o governo, que não atendeu a todas as minhas necessidades'. É uma boa desculpa para não se fazer nada. Estou perto de completar 79 anos e, se Deus me der força, quero morrer trabalhando.

OESP, 31/01/2007, Economia, p. B4

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