JT, Cidade, p. A16
05 de Out de 2004
Na periferia de SP, animais e matas preservadas
Estudo inédito mostra que a Capital mantém 20% da vegetação nativa; índice é superior ao de outras metrópoles; Zona Norte e Sul são as mais verdes
Bruno Tavares
Do alto de um prédio na Avenida Paulista, seria quase impossível imaginar que a Capital ainda conserva centenas de espécies de aves e uma área superior a 20% de vegetação nativa. Mas a 59 quilômetros do marco-zero, em Engenheiro Marsilac, Zona Sul, moradores convivem com antas e onças-pardas. Os dados constam na versão preliminar do Informe Geo Cidade de São Paulo, estudo inédito realizado pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT.
O mapeamento ambiental da Cidade, no entanto, revela que essa cobertura é desigual. Cerca de 60% da mata existente está concentrada em apenas quatro distritos: Marsilac (20.881 hectares), Parelheiros (14.098 hectares) e Grajaú (6.253 hectares), todos na Zona Sul, além do Tremembé (4.858 hectares), na Zona Norte. "Temos uma porção preservada de Mata Atlântica superior a do Rio, Vitória e Curitiba", ressalta o engenheiro agrônomo Luiz Roberto de Campos Jacinto, membro da equipe técnica que elaborou o estudo.
Para o engenheiro, três fatores foram decisivos na manutenção da vegetação na Zona Sul. "Como se trata de uma área de mananciais, há, desde 1976, uma legislação sobre a ocupação desse território. Além disso, o relevo não é ideal para a construção de moradias, e a distância em relação ao Centro é grande", comenta Jacinto. A Zona Norte também conservou sua área verde, a Serra da Mantiqueira. As zonas Oeste e Leste possuem, respectivamente, as menores coberturas vegetais.
Nas 45 localidades pesquisadas na Capital, os técnicos do IPT registraram a presença de 312 espécies de animais silvestres - sendo 215 aves e 20 mamíferos. "São números significativos, que estão ligados à existência de parques. Esses locais têm um papel importante na preservação da fauna", explica o engenheiro. Ainda segundo ele, o ritmo de desmatamento na Capital diminuiu nos últimos anos. A degradação da cobertura vegetal é apontada por meteorologistas como um dos motivos do desequilíbrio no regime de chuvas na Cidade.
"É por isso que os mananciais ficam vazios em períodos chuvosos. Acaba chovendo no lugar 'errado'", completa Jacinto. Na opinião dele, o êxodo para essas regiões, que pela falta de infra-estrutura têm menor valor imobiliário, é preocupante. "A população menos favorecida não pode mais ser 'expulsa' das áreas urbanizadas. Isso sairia caro do ponto de vista ambiental", diz.
JT, 05/10/2004, Cidade, p. A16
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