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Na obra da usina de Jirau, 800 demissões

O Globo, Economia, p. 22
07 de Abr de 2012

Na obra da usina de Jirau, 800 demissões

Geralda Doca
geralda@bsb.oglobo.com.br

BRASÍLIA. Dois dias depois do incêndio de alojamentos na obra da usina de Jirau (no Rio Madeira, em Rondônia), cerca de 800 trabalhadores foram desligados da empresa. Em nota, a Camargo Corrêa informou ontem que esses operários pediram demissão. Segundo o sindicato local, no entanto, alguns funcionários foram demitidos por justa causa porque foram identificados pela polícia como participantes do incêndio, considerado pelas autoridades como ato de vandalismo.
O incêndio ocorreu na última terça-feira, quando 36 dos 57 alojamentos foram destruídos pelo fogo. Além de trabalhadores da usina, o ato criminoso teria contado com a participação de pessoas de fora, infiltradas no local do empreendimento, de acordo com o sindicato. A Camargo Corrêa emprega na obra 15 mil operários.
- Entre os demitidos, alguns manifestaram desejo de ir embora, depois do incêndio. Mas há também gente que pegou justa causa porque foi identificada pela polícia - afirmou Enélcio Pereira, do Sindicato dos Trabalhadores da Industria da Construção Civil (Sticcero), acrescentando que os demitidos ganharam passagem de volta para a cidade de origem.

Autoridades vão fiscalizar canteiro hoje
Se houver problemas, empresa tem 72 horas para alojar funcionários

Representantes do Ministério Público do Trabalho, fiscais do Ministério do Trabalho e sindicalistas farão hoje uma vistoria nos canteiros da usina de Jirau para avaliar as condições de trabalho e a situação dos alojamentos. A inspeção do local foi decidida por liminar da juíza Maria Rafaela de Castro (8 Vara do Trabalho de Porto Velho).
De acordo com o despacho, caso seja comprovado que a situação dos alojamentos esteja inadequada ou ofereça risco a segurança e integridade física e psicológica dos empregados, a empresa responsável pela obra terá que adotar medidas dentro de 72 horas para alojar os trabalhadores em hotéis. Também foi determinado à construtora que ofereça a esses funcionários alimentação, em boas condições de higiene. A multa diária para o descumprimento é de R$ 1 mil por trabalhador.
Segundo o sindicato Sticcero, o número de demissões (800) foi fechado na madrugada de sexta-feira. A nota da Camargo Corrêa não informa o número, diz apenas que foram a pedido e que os operários já estavam a caminho de casa. Os trabalhadores de Jirau estavam em greve e voltaram às atividades na segunda-feira. Já em Belo Monte, a rodovia Transamazônica foi liberada, mas a volta à normalidade vai depender de reunião na terça-feira.

O Globo, 07/04/2012, Economia, p. 22

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