O Globo, Ciência, p. 42
30 de Out de 2008
Na China, subsídios têm custo ambiental
Incentivos à industria do carvão causam grandes prejuízos para saúde e agricultura
Gilberto Scofield Jr.
Correspondente
Um estudo inédito sobre a indústria de carvão da China elaborado pelos institutos de pesquisa Unirule Institute of Economics e Energy Foundation, e as ONGs Greenpeace e WWF, conclui que o subsídio dado pelo governo para a produção e o consumo do combustível - responsável por 70% da energia gerada na China, para uma média mundial de 30% - causou um prejuízo ambiental e social da ordem de 1,7 trilhão de yuans em 2007 (US$ 250 bilhões), o equivalente a 7,1% do PIB (Produto Interno Bruto) no mesmo ano.
A indústria do carvão na China é uma das mais poluidoras do mundo, com padrões de segurança tão precários que a taxa de mortalidade no setor é 70 vezes mais alta que nos EUA e 17 vezes mais alta que na África do Sul, outros grandes produtores do combustível.
- O carvão é responsável por 80% das emissões de dióxido de carbono anuais do país e os efeitos do aquecimento, como altas temperaturas, perda de terra cultivável e escassez de água vão reduzir a produção de alimentos em até 23% até 2050 - afirmou Yang Fuqiang, diretor da Energy Foundation na China.
Para diminuir o uso do carvão e desestimular o consumo, os especialistas sugerem que o mercado de carvão na China seja regido pelas forças de mercado, com o fim dos pesados subsídios dados pelo governo hoje ao setor.
- Para incluir no preço atual o custo da devastação da industria de carvão seria necessária a imposição de impostos de energia e meio ambiente, a liberação do setor com fiscalização da enorme quantidade de minas pequenas e ilegais, onde está a maior parte do problema e, finalmente, melhorar a regulamentação da indústria - diz o economista Mao Yushi, presidente do Unirule Institute of Economics
O Globo, 30/10/2008, Ciência, p. 42
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.