VOLTAR

Na bacia do Pipiripau (DF) produtores rurais relatam suas experiências com diferentes práticas agroecológicas

WWF - http://www.wwf.org.br
Autor: Damaris Adamucci
17 de Nov de 2014

Localizada a mais de 50 km de Brasília, Planaltina é mais uma das cidades que participa do Programa Água Brasil. No final de outubro, reunimos cerca de 40 pessoas, entre agricultores, instituições parceiras e representantes do poder público, para realizar um Seminário de Boas Práticas Agropecuárias (BPA), agroecologia e restauração florestal. Além disso, o encontro foi uma oportunidade de apresentação dos diversos projetos que atuam na bacia, bem como os resultados conquistados até o momento. Ao final, foram discutidos os próximos passos de cada Unidade Demonstrativa (UD) e das ações de restauração florestal.

Além das ações de agroecologia, também foram realizados debates no Seminário, relativos às iniciativas do Programa Produtor de Água; Certificação de produtos agropecuários; Cadastro Ambiental Rural e Restauração Florestal.

Atualmente, na linha da agroecologia o Programa Água Brasil beneficia 10 famílias, na bacia do Pipiripau, em Planaltina. Cada uma delas possui uma UD em sua propriedade, que conta com o acompanhamento técnico do engenheiro agrônomo André Brunckhorst, um dos parceiros do programa na região. O papel das UDs é servir de vitrine de modelos sustentáveis de produção agrícola/pecuária e de boas práticas agroecológicas.

Antes da implantação das UDs é realizado um diagnóstico para entender a realidade da região e como o projeto pode contribuir com cada produtor. "Esse é um trabalho que tem que ser feito com calma, por etapas, porque é imprescindível entender a necessidade de cada um e capacitar o produtor corretamente para que a UD seja um modelo de sucesso", explica André.

Na oficina, foi relatada a história de dois conterrâneos. Ambos do Rio Grande do Sul, Jefferson Isoton e Fátima Cabral vivem experiências diferentes com o Programa Água Brasil. É interessante perceber que, mesmo com realidades diferentes, a consciência sobre a importância de mudar a forma de trabalhar, adotando práticas agroecológicas, é a mesma. Os dois produtores já conseguem ver a necessidade de conservar o solo e a água.
Jefferson iniciou o trabalho com a UD há apenas dois meses, quando o projeto construiu duas estufas de plantação de tomate. Antes, o agricultor cultivava plantações convencionais com o uso de agrotóxico. Agora, ele utiliza o Bokashi, um composto de mistura de farelos com microorganismos, que promovem a fermentação e transformam o material em adubo, ideal para a agricultura orgânica. Em apenas 15 dias, ele já consegue ver resultado. "Até agora não foi necessário usar veneno. Antes, eu plantava e no dia seguinte já tinha que usar veneno. Com esse sistema não preciso, minhas plantas estão mais saudáveis", diz ele.

Além da melhor qualidade do alimento orgânico, Jefferson acredita na mudança de consciência ambiental da comunidade de Taquara, onde vive. "Adotar práticas menos nocivas ao meio ambiente é muito importante. Mas, ainda falta muito conhecimento e informação. Acho que quando mostrarmos o resultado da minha UD na prática, com certeza, vamos despertar o interesse de outros produtores", explica ele.

Já a D. Fátima participa do Programa há um ano. Em sua propriedade, foram feitas duas atividades até o momento: plantio de oito mil mudas, para a restauração de suas áreas de preservação permanente e de reserva legal, além do terraceamento, uma prática de combate à erosão fundamentada na construção de terraços que regulam o volume de escoamento das águas das chuvas.

As próximas práticas a serem desenvolvidas na propriedade da agricultora são: manejo agroecológico de pastagem, cerca viva, reflorestamento e produção agroecológica de hortaliças em estufa, cultivo orgânico de maracujá com adubação verde e o reflorestamento da Área de Proteção Permanente (APP) de sua propriedade.
Antes de fazer parte do projeto, Fátima viu de perto a destruição do rio pela ação do gado, que pisoteava e compactava o solo, além de poluir a água e aumentar o assoreamento, que é a chegada de terra dentro do rio, diminuindo sua vazão. Agora, com o replantio e o cercamento, para que o gado não ultrapasse para a área do rio, já é possível ver a recuperação da nascente, além do volume da água que também aumentou. Até os peixes que haviam desaparecidos, voltaram.

A região do Pipiripau II ainda é uma área de cultura convencional. Por isso, Fátima acredita que oficinas de capacitação, como essa realizada , são de extrema importância para orientação e conscientização da comunidade local. "É preciso compreender que essa transição é construída aos poucos para que ninguém desista no meio do caminho. Não é fácil, mas vale a pena. Ver o rio voltar a correr não tem preço", diz ela.
Fátima também acredita no poder da juventude para disseminar as boas práticas agropecuárias na comunidade. "Acredito que eles são o futuro e que tem a cabeça mais aberta para aceitar novas ideias e realizar a transformação. Além disso, eles serão os maiores beneficiados no futuro", finaliza.

O Água Brasil no Pipiripau

As águas do rio Pipiripau abastecem diversas cidades do Distrito Federal. O Programa Água Brasil apoia pequenos e médios agricultores para a conservação da bacia do rio Pipiripau e, assim, contribuir com a quantidade e a qualidade da água que abastece os moradores da região. Mais de 65 mil mudas foram plantadas nas propriedades próximas à bacia do rio Pipiripau. Além disso, o Programa atua por meio de ações, como restauração florestal, tecnologias sociais, consolidação do PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) e ações de engajamento da sociedade civil para plantio voluntário de mudas na bacia.

http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?42…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.