Le Monde - https://archive.is/20260131123653/https://www.lemonde.fr/planete/article/2026/01/31/en-am
02 de Fev de 2026
Na Amazônia brasileira, o desmatamento em terras indígenas está em declínio
Em 2025, o desmatamento nas 475 terras indígenas, que cobrem 23% da Amazônia, atingiu apenas 44 quilômetros quadrados, uma queda de 20% em relação à área desmatada em 2024.
Por Anne-Dominique Correa (Rio de Janeiro, correspondente)
Publicado hoje às 12h30 - Tempo de Leitura 3 min.
No Brasil, a sobrevivência dos povos indígenas está constantemente ameaçada pela expansão das atividades do agronegócio e pela exploração ilegal de madeira e ouro. Um estudo da ONG ambiental Imazon, publicado segunda-feira, 26 de janeiro, traz uma nota de esperança: em 2025, o desmatamento em cerca de 475 terras indígenas, que cobrem 23% da Amazônia, atingiu apenas 44 quilômetros quadrados. Isso representa uma diminuição de 20% em relação à área desmatada em 2024 e 88% em relação à de 2019.
Esses números sugerem que os esforços do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para proteger as terras indígenas e a floresta estão dando frutos. "Observamos que nos últimos anos, graças à retomada da política ambiental por Lula, o controle do desmatamento foi fortalecido no país", disse Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon, que realizou o estudo.
Desde sua posse, em janeiro de 2023, o presidente de esquerda criou o Ministério dos Povos Indígenas, confiado à ativista indígena Sonia Guajajara, e prometeu um objetivo de "desflorestamento zero" até 2030. Também reativou a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), órgão responsável pela proteção dos direitos dos povos indígenas, bem como do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a polícia ambiental, sendo que ambos haviam sido enfraquecidos sob a presidência de Jair Bolsonaro (2019-2022).
Ferramenta eficaz
O governo também realizou uma grande operação para expulsar mineradores ilegais de ouro da terra Yanomami e aprovou 20 novas terras indígenas. Quatro deles foram anunciados em 18 de novembro de 2025, na COP 30, realizada em Belém, no coração da Amazônia brasileira, após pressão de dezenas de manifestantes indígenas que forçaram a entrada da "zona azul", o espaço reservado para negociações. No total, o país conta agora com 536 terras indígenas registradas, que cobrem cerca de 14% do território nacional, segundo dados da ONG Institut socioenvironnemental (ISA).
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Os números do Imazon também confirmam que a alocação de terras aos povos indígenas, direito garantido desde 1988 pela Constituição brasileira, é uma ferramenta efetiva para preservar a floresta. Segundo o estudo, apenas 2% do desmatamento registrado na Amazônia em 2025 ocorreu nesses territórios. "O modo de vida que vivemos está nos levando a preservar a floresta", diz Toya Manchineri, coordenadora geral da Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), que representa 180 povos indígenas da floresta tropical. "Os povos indígenas dependem de seu território para alimentação, para atividades culturais e para a medicina", acrescentou.
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"A demarcação [a delimitação pelo estado de um território em que os povos indígenas têm direitos de gestão] e o reconhecimento oficial das terras indígenas também são fundamentais para a regeneração da cobertura vegetal em áreas fortemente desmatadas", acrescenta Tiago Moreira, pesquisador do ISA. Após a demarcação de suas terras em 1992, localizada em um vale em Minas Gerais, o povo Maxakali realizou o reflorestamento da mata atlântica, um bioma tropical, que uma vez cobriu a área antes que pastagens de gado a destruíssem. Mais de 156 hectares de floresta foram replantados.
"Pressão Política"
Porém, a concessão de novas terras está enfrentando muitos obstáculos. O processo de certificação muito burocrático pode durar décadas. Deve primeiro ser objeto de um estudo cartográfico, antropológico e histórico pela Funai, antes de ser validado pelo Ministério da Justiça, depois pelo Presidente da República. Segundo o Coiab, 25 povos indígenas amazônicos ainda estão esperando que Lula aceite suas terras.
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Além disso, "a pressão política do Senado Federal e da Câmara dos Deputados impede que o governo federal se afaste rapidamente nessa política de demarcação", disse Dinamam Tuxa, coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, principal organização indígena do país. Dos 594 assentos no Congresso, 349 são ocupados pelo lobby do agronegócio, que se opõe à concessão de novas terras para continuar a expansão desenfreada de suas plantações.
Em 2023, o Congresso até tentou restringir essas probabilidades, aprovando uma chamada lei de "prazo". O texto defendia que o reconhecimento dos territórios indígenas deveria ser limitado à terra que os indígenas ocupavam em 1988, quando a Constituição foi promulgada, ignorando assim os deslocamentos forçados sofridos por muitas comunidades antes daquela data. Após mobilizações generalizadas da sociedade civil, essa lei muito controversa foi finalmente considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte de justiça do país, em 18 de dezembro de 2025, consolidando um direito histórico para os povos indígenas.
Anne-Dominique Correa (Rio de Janeiro, correspondente)
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