O Globo, Rio, p. 18
20 de Jan de 2010
Museu no Píer Mauá será marco da Rio+20
Dedicada à sustentabilidade, estrutura que abrigará encontro de líderes mundiais será projetada por arquiteto espanhol
Luiz Ernesto Magalhães e Isabela Bastos
A Zona Portuária vai ganhar, como uma de suas âncoras no processo de revitalização planejado pela prefeitura, um projeto do arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Conhecido em todo o mundo pelos projetos arquitetônicos que se destacam pela leveza e pelo arrojo de estruturas lembrando animais, Calatrava foi convidado pelo prefeito Eduardo Paes para projetar o futuro Museu do Amanhã, que será erguido em parceria com a Fundação Roberto Marinho no Píer Mauá. A notícia foi antecipada ontem por Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO.
A proposta original previa que o museu - que será dedicado à sustentabilidade - fosse construído nos Armazéns 5 e 6 cedidos pela Compahia Docas para o plano de revitalizaçao do Porto. Paes, no entanto, quer que o projeto se transforme num marco da Terceira Cúpula da Terra (Rio+20), encontro que tem como objetivo renovar e avaliar o engajamento dos líderes mundiais com o desenvolvimento sustentável do planeta, 20 anos depois da Rio 92. O evento, que tratará como a economia verde pode ajudar no desenvolvimento da pobreza, foi confirmado pela ONU no fim de dezembro. A ideia é que os chefes de estado reafirmem princípios da Rio 92.
As negociações com o arquiteto começaram há cerca de dois meses, em Madri. Paes explicou que o projeto ainda não foi orçado, mas o custo será "bastante razoável".
- Meu desejo é que a Rio+ 20 aproveite o Pier Mauá durante os encontros. E o Museu do Amanhã seria um ícone do evento. No encontro disse que queria um equipamento que fosse útil para a cidade. E que tivesse um orçamento que fosse mantido do começo ao fim.
Isso porque o Rio tem trauma dos custos da Cidade da Música - disse o prefeito.
Segundo a gerente geral de Patrimônio da Fundação Roberto Marinho, Lúcia Basto, Calatrava ficou empolgado com o convite e aceitou o desafio de desenhar o museu. Mas ainda falta formalizar o contrato. Para isso, será preciso alinhavar o orçamento total da obra e seu prazo de execução e discutir a adequação do projeto arquitetônico ao conceito do museu.
A contratação de Calatrava é elogiada pelo ex-secretário de Urbanismo Augusto Ivan, que na década de 90 participou do projeto de revitalização do Rio Antigo e das discussões da revitalização do Porto. Ivan cita como um dos principais exemplos de projetos de Calatrava, que contribuíram para a revitalização de áreas degradadas, a Gare do Oriente, em Lisboa. O complexo compreende estações de metrô, ônibus e um centro comercial. A estação foi construída para a Feira Mundial de 98 (Expo-Lisboa) que recuperou áreas degradadas às margens do Rio Tejo.
- Ele é um dos grandes arquitetos da atualidade. Muitas de suas obras seguem a tendência de arquitetura a serviço da revitalização porque se transformam em marcos. Seus projetos têm formas e se destacam na paisagem - disse.
O arquiteto Paulo Casé também elogiou o colega:
- Suas obras realmente marcam os lugares porque tem uma visão estética muito apurada no uso de estruturas metálicas.
Na segunda-feira, Eduardo Paes almoçou no Rio com o chanceler Celso Amorim para discutir a proposta. O Itamaraty informou ontem que ainda não há data para a realização do evento. Apenas a partir de hoje, o Ministério do Meio Ambiente e o Itamaraty começam a se reunir para discutir os preparativos da Rio+20.
O anúncio da ida do Museu do Amanhã para o Píer Mauá sepulta um projeto anunciado e já licitado no ano passado de construir um parque urbano naquele espaço. Iniciadas há dois meses, as obras do parque, orçadas em cerca de R$ 28 milhões, estavam na fase de montagem do canteiro para os operários. A licitação foi vencida pela empreiteira OAS. Ontem, Paes disse que ainda será decidido o que será feito do contrato já assinado com a empreiteira.
O Globo, 20/01/2010, Rio, p. 18
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