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Mundo tem menos tempo para defender clima

O Globo, Opinião, p. 18
28 de Set de 2013

Mundo tem menos tempo para defender clima
Sobe para 95% certeza de que ação humana é responsável pelo aquecimento global. A superação da crise econômica mundial ajuda a recolocar o assunto em pauta

O quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado ontem pela ONU em Estocolmo, traz novas e sérias advertências. Subiu para 95% o grau de certeza entre os cientistas de que o aquecimento global é influenciado pelo homem - portanto, há espaço para ser mitigado. E, se o mundo continuar a queimar combustíveis fósseis no ritmo atual, terá mais cerca de 30 anos antes que as temperaturas atinjam níveis arriscados para a vida na Terra; até o fim deste século, o aquecimento será "provavelmente superior" a 2 graus Celsius - as chances são de 66% -, superando o limite considerado seguro.
Diz o documento: "A influência humana foi detectada no aquecimento da atmosfera e do oceano, nas mudanças do ciclo global das águas, em reduções da neve e do gelo, na elevação dos níveis do mar e em alterações em alguns extremos climáticos."
Os cientistas buscaram tornar as conclusões mais palpáveis para as populações, no intuito de levá-las a alterar os hábitos e as práticas há muito tempo adotadas nas esferas do consumo, do gasto de energia, da produção industrial e em praticamente todas as atividades humanas, no sentido de reduzir a emissão de gases estufa. As previsões para o Brasil, por exemplo, indicam que as temperaturas no país podem aumentar de 2 a 3 graus Celsius até 2100, com as máximas diárias subindo em até sete graus. Isto seria catastrófico.
Parte significativa da comunidade científica, organizações internacionais e ONGs travam há décadas uma luta titânica para convencer governos e corporações da necessidade de medidas impactantes, e de alto custo, para mitigar as mudanças climáticas e manter a Terra habitável pela futuras gerações. A meta é chegar-se a um acordo global, válido a partir de 2020, determinando cortes obrigatórios nas emissões de gases do efeito estufa. Mas a comunidade internacional acumula fracassos desde o Protocolo de Kioto (1997).
Desilusão foi a marca da COP-15 (conferência sobre clima), de 2009, em Copenhague. O mundo embarcava naquela época na pior crise financeira desde os anos 30. As questões ambientais foram para segundo plano. O novo estudo do IPCC é divulgado num momento em que, pode-se dizer, o pior já passou. E, numa mudança da atitude americana, o presidente Obama declarou a intenção de usar a autoridade do Executivo para limitar emissões. Os EUA são o segundo maior poluidor mundial. O primeiro, a China, tem feito grandes esforços no sentido de "limpar" suas fábricas e usinas.
Com o auxílio da ciência, a Humanidade tem demonstrado notável capacidade de superar obstáculos. Não há razão para se pensar que será diferente na preservação do clima. Mas é preciso ousadia, cooperação e muito dinheiro.
A questão é: independentemente das causas do aquecimento, se o homem é mais responsável ou menos, é importante conter e reduzir as emissões de carbono.

O Globo, 28/09/2013, Opinião, p. 18

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