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Mundo acorda para o clima

O Globo, Ciência, p. 28
22 de Set de 2009

Mundo acorda para o clima
Reunião na ONU com mais de 100 líderes mundiais discute aquecimento global

Marilia Martins
Correspondente Nova York

A presença do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e do primeiro ministro chinês, Hu Jintao, hoje na abertura do encontro da ONU sobre clima que reunirá mais de cem líderes mundiais pode trazer novidades nos debates em busca de um acordo global para substituir o Protocolo de Kioto, no encontro de Copenhague, no final do ano. China e EUA são hoje responsáveis por mais de 40% das emissões de gases poluentes na atmosfera e o discurso dos dois chefes de Estado é considerado decisivo para um acordo.

- China e EUA são os países-chave neste encontro sobre clima e suas posições podem ter grande impacto nas negociações para um acordo global - disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, que convocou o encontro com o objetivo de construir um momento político em torno de um novo acordo.

Cientistas de todo o mundo fizeram apelos para que metas ambiciosas de redução dos gases do efeito estufa sejam estabelecidas no protocolo que substituirá Kioto para evitar as catástrofes naturais que se prenunciam com o aumento das temperaturas.

Mas com o tempo se esgotando para a reunião da Dinamarca, o medo generalizado é de que não haja um progresso suficiente nas negociações para que se alcance um acordo significativo. Um movimento da China hoje pode ser o pontapé que faltava para deslanchar as negociações.

O governo chinês antecipou que pretende anunciar na ONU um plano para reduzir as emissões tóxicas de veículos automotores, de fábricas e usinas de carvão chinesas.

A China também propõe que os países desenvolvidos contribuam para um fundo internacional que subsidie nações menos desenvolvidas na redução de suas emissões de gases poluentes.

Obama chega ao encontro da ONU tendo na bagagem a notícia de que as emissões de gases tóxicos começaram a declinar nos EUA - em grande parte por conta da recessão.

Em 2008, o consumo de gasolina caiu 5% e o, de carvão, 3%. As projeções para 2009 são de declínio de mais 5% do consumo de gasolina e mais 10% de energia à base de carvão, o que poderia sustentar metas mais ambiciosas de redução de emissões de gasesestufa.

O presidente americano já enviou ao Congresso um projeto de redução de emissões e de adaptação da economia americana a padrões mais ecológicos. Obama gostaria de ver o texto aprovado até o fim do ano, a tempo do encontro em Copenhague. Ainda assim, corre o risco de assumir metas bem inferiores às já anunciadas pelo novo primeiro ministro japonês Yukio Hatoyama, que pretende reduzir as emissões de seu país em 25% até 2020.
Gordon Brown pede ação mais incisiva
A União Europeia já anunciou também a meta de reduzir em 20% o volume de emissões até 2020. A proposta americana mais agressiva em debate hoje no Congresso fala em cortes de 4%.

- As negociações da ONU se encontram perigosamente num impasse - afirmou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, desafiando os países em desenvolvimento a se comprometerem mais, como forma de assegurar o apoio financeiro das nações mais ricas. - Não se trata de uma discussão que podemos retomar no próximo ano. Isso poderia resultar num terrível colapso, num atraso de anos para que as ações contra as mudanças climáticas comecem a ser adotadas.

O primeiro ministro do Reino Unido, Gordon Brown, propôs, num artigo na "Newsweek" que a reunião de ministros de meio ambiente de Copenhague seja transformada num encontro de cúpula de líderes mundiais.

"Se isso for necessário para fechar um acordo, eu irei pessoalmente a Copenhague - e vou pedir a meus colegas que façam o mesmo", escreveu Brown. "Se perdermos esta oportunidade, não haverá uma segunda chance, nenhuma maneira tardia de desfazer o catastrófico dano ambiental causado."

O Globo, 29/09/2009, Ciência, p. 28

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