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Mulheres lideram luta contra destruição de quilombo no Pará

Hypeness - https://www.hypeness.com.br
Autor: Vitor Paiva
27 de jan de 2020

Na região de Ananindeua, no Pará, a luta contra a invasão e avanço sobre o território da comunidade quilombola do Abacatal é uma luta feminina. São as mulheres do quilombo que lideram e compõem a maioria da associação que vem movendo processos contra empresas que vem tentando se apropriar do terreno - pela tentativa de construção de subestações de energia, lixões, rodovias e gasodutos - até mesmo na vigília de segurança, para impedir que a comunidade seja ainda mais ameaçada pelos pistoleiros, o desmatamento, a poluição e até o tráfico de drogas.

A luta feminina no Abacatal não é de hoje: ainda no século XVIII, o Conde português Coma de Melo, que não tinha filhos com sua esposa, teve três filhas inicialmente não reconhecidas com Olímpia, uma escrava - e a casa do Conde ficava no local onde hoje é a comunidade. Por décadas o território foi motivo de disputa, e somente em 1999 os 318 hectares onde vivem as 121 famílias que formam a comunidade quilombola do Acabatal tiveram sua situação regularizada. E cada decisão comunitária hoje é tomada pela Associação de Moradores e Produtores de Abacatal e Aurá (AMPQUA) que, de seus dez membros, nove são mulheres. É a associação que trabalha na justiça e pressionando as autoridades contra as ameaças ao quilombo.

A luta pela existência e manutenção do território é também a luta contra o racismo e o desmonte atual das políticas públicas em defesa dos povos quilombolas, indígenas e ribeirinhos. Tratam-se de esforços hercúleos, contra a subestação da empresa de energia Equatorial, a Rodovia Liberdade, o Aterro Sanitário de Marituba, e um gasoduto - todos projetos que já afetam ou que virão a afetar a vida dos moradores de Abacatal. E é também a luta contra a poluição e pela natureza, onde vivem e da onde tiram a base de suas vidas essas mulheres guerreiras e quilombolas do Pará.

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