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Mulheres indígenas protestam em encontro contra saída da Unifesp do Parque do Xingu

Instituto Socioambiental - www.socioambiental.org
12 de nov de 2008

Cerca de 200 mulheres de diversas etnias participaram do V Encontro de Mulheres Xinguanas para debater a saúde do adolescentes. Boa parte do tempo, elas dedicaram a discutir a interrupção das ações de saúde desenvolvidas pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que atua no Parque Indígena do Xingu há 43 anos.

O tema do V Encontro de Mulheres Xinguanas, realizado no Posto Indígena Pavuru, no Parque Indígena do Xingu, na primeira semana de novembro, reuniu cerca de 200 mulheres das etnias Ikpeng, Kamaiura, Kawaiwete (Kaiabi), Ki~sêdjê, (Suiá) Yudja, Trumai e Waura para debater o tema Saúde do adolescente. Mas durante boa parte do encontro, do qual elas participam desde 2003, debateram de que forma dialogar com as instituições responsáveis pela saúde indígena, como o Ministério da Saúde e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), para reverter a interrupção das ações de saúde da Unifesp no Parque Indígena do Xingu, prevista para 31 de dezembro próximo. A Funasa é a responsável pela saúde indígena no País, com atuações pontuais ou por meio de convênios com outras instituições, a Unifesp entre elas.

Ocorre que em 25 de julho deste ano, o governo federal assinou o Decreto no 6 170, que impede a assinatura de convênios com entidades dirigidas por servidores públicos federais. Dessa forma, ficou inviabilizada a continuidade do trabalho que a Unifesp realizava no Xingu há 43 anos e é referência quando se fala em assistência à saúde indígena no Brasil. Assim, a Funasa abriu edital em outubro de 2008 e já escolheu a nova conveniada que deverá cuidar do Distrito Sanitário Especial Indígena do Xingu.

Preocupadas com a mudança , as mulheres xinguanas reclamaram que as comunidades não foram consultadas e, por isso, decidiram se manifestar contra a saída da equipe da Unifesp que há quatro décadas está na região e é contratada e mantida com os recursos desse convênio.

As mulheres escreveram cartas com a assessoria dos professores e agentes indígenas de saúde e deram entrevistas à TV Centro América, afiliada da Rede Globo no Mato Grosso, protestando. Também planejam ir a Brasília reclamar diretamente com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

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