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Autor: Bianca Diniz
17 de Mar de 2026
17 de março de 2026
BELÉM (PA) - Há quase um mês, mulheres indígenas da região do Médio Xingu no Estado do Pará mantêm ocupação na sede regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), no município de Altamira, em protesto contra o avanço do projeto de mineração da subsidiária brasileira Belo Sun Mining, da mineradora canadense Belo Sun, na Volta Grande do Xingu, uma das maiores minas de ouro a céu aberto do País.
O Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu reforçou sua oposição ao projeto de mineração da Belo Sun, em comunicado divulgado nesta terça-feira, 17. "Reafirmamos posição contrária ao projeto de mineração de ouro da Belo Sun na Volta Grande do Rio Xingu", diz a manifestação. Elas também ressaltam que, após semanas de mobilização, seguem denunciando "os graves riscos ambientais, sociais e culturais associados ao empreendimento" e exigem "o respeito aos direitos dos povos indígenas, especialmente ao direito à consulta prévia, livre e informada".
O documento ressalta a necessidade de diálogo imediato com as instituições responsáveis pela proteção dos povos indígenas e pelo monitoramento ambiental. "Realização urgente de uma audiência com órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, o Ministério Público Federal, o Ministério dos Povos Indígenas e demais instituições competentes", diz a nota.
O movimento também reforça que a mobilização não terá fim até que suas demandas sejam atendidas. As lideranças reiteram, ainda, a defesa inegociável da região: "O movimento reafirma sua defesa inegociável do Rio Xingu, dos territórios e dos direitos dos povos da Volta Grande do Xingu".
Desde 21 de fevereiro, o movimento contesta a licença concedida naquele mês, que ignorou a realização de consulta prévia, livre e informada às comunidades afetadas, direito previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Indígenas das etnias Juruna, Xikrin, Xipaya, Curuaya e Arara denunciam que decisões sobre a instalação da mina avançam sem participação adequada das comunidades, reunindo apoiadores de várias aldeias e de outros territórios em solidariedade à causa.
O processo de licenciamento ambiental do projeto, em tramitação desde 2012, apresenta "lacunas técnicas", como a insuficiência de estudos sobre os impactos cumulativos da mineração e da hidrelétrica de Belo Monte. O movimento aponta que, faltam informações detalhadas sobre populações indígenas fora de terras demarcadas. A licença concedida judicialmente em fevereiro ignora parte das preocupações, gerando riscos de violações aos direitos indígenas e de degradação ambiental.
A região enfrenta alterações profundas no fluxo do rio Xingu devido à hidrelétrica de Belo Monte, com queda do nível das águas, prejudicando a reprodução de peixes, a pesca tradicional e a navegação dos povos tradicionais, como ribeirinhos. A instalação da mina geraria mais pressão a um ecossistema já vulnerável, ameaçando a subsistência das comunidades locais e a manutenção de modos de vida tradicionais.
Após mais de três semanas de ocupação, mulheres indígenas do Médio Xingu afirmam que a mobilização busca diálogo com órgãos públicos e o Judiciário sobre o processo de licenciamento da mina. Foram acionados o Ministério dos Povos Indígenas, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública da União, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
A REVISTA CENARIUM entrou em contato com a Belo Sun Mining Corp. para solicitar posicionamento sobre o tema, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
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