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Mulheres Ikpeng participam de oficina da Rede de Sementes do Xingu

Instituto Socioambiental - http://www.socioambiental.org
Autor: Leticia Soares de Camargo e Rosana Gasparini.
19 de mai de 2010

Conduzida por professores Ikpeng, o evento permitiu às participantes entender melhor o funcionamento da rede, aprender a pesar sementes e sobre como utilizar o dinheiro vindo da comerciliazaçaõ das sementes.

Quarenta e cinco mulheres Ikpeng que habitam o Parque Indígena do Xingu (MT), coletoras de sementes comercializadas pela Rede de Sementes do Xingu, participaram de oficina de capacitação no Posto Indígena Pavuru de 13 a 16 de maio. Nas tardes desses dias, as mulheres se envolveram em atividades para compreender melhor o funcionamento da rede e tiveram noções básicas de pesagem e do uso do dinheiro.

As coletoras se autodenominam 'Yarang', que significa 'formiga' em língua Ikpeng, em alusão ao movimento das formigas saúvas que coletam e levam as sementes para casa para limpá-las.

A oficina foi previamente planejada com os professores Ikpeng, que conduziram o trabalho na língua deles, já que são poucas as mulheres que falam português. Uma apresentação teatral simulou todas as etapas da comercialização de sementes, da coleta até a compra. O uso do dinheiro foi tratado utilizando-se as figuras de animais para cada nota, por meio das quais as mulheres identificavam os valores: uma nota de 100 reais é chamada de 'Egepak', que significa tucunaré, a de 50,00 reais é 'Akari', que significa onça, a de 20,00 reais é a 'Awuga', que significa mico e a de 10,00 reais é a 'Kara', que significa arara.

Ao final, as participantes avaliaram a oficina como alegre e esclarecedora e disseram que o aprendizado deverá ajudá-las no trabalho com a rede de sementes e na relação com o mundo não indígena. "A participação das mulheres Ikpeng na Rede de Sementes está nos surpreendendo. Só no ano passado elas entregaram mais de 600 quilos de sementes já beneficiadas", avalia José Nicola da Costa, do ISA, animador da Rede de Sementes do Xingu. O trabalho das 'Yarang' também merece destaque por ser feito de maneira coletiva e envolver toda a aldeia. "Percebemos que a participação delas na comunidade ficou mais evidente depois que passaram a fazer parte da Rede".

http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3085

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