A Crítica-Manaus-AM
Autor: Omar Gusmão
05 de Mar de 2002
Em tempos de homenagem às mulheres, nada mais justo do que valorizar e prestar cortesia à mulher genuinamente amazônica. Foi este mote que impeliu a direção do Manaus Shopping São José a organizar um evento inédito por ocasião da Semana da Mulher este ano. Trata-se da exposição "Amarn em foco", inaugurada na última sexta-feira, que apresenta artesanato produzido e vendido pela Associação das Mulheres do Alto Rio Negro (Amarn), em cartaz no espaço cultural da praça de alimentação do shopping.
Nela, o público pode apreciar - e comprar - produtos como cestos de palha, bolsas, balaios, peneiras, redes, pulseiras, cerâmica e adornos produzidos pelas mulheres do Alto Rio Negro. A Amarn é uma associação sem fins lucrativos, vinculada ao Movimento Indígena Organizado, criada em 1984. Em língua tukano, é conhecida como Amarn - Numia-Kurá, que significa grupo de mulheres, e tem como objetivo reunir, representar e desenvolver atividades junto a mulheres indígenas do Alto Rio Negro que residem em Manaus.
De acordo com Maria Gorete Fonseca Chaves, 38, coordenadora-geral da Amarn, a principal mudança que a criação da associação trouxe foi a existência de um local para abrigar as mulheres indígenas que não têm para onde ir. "Antigamente, quando elas saíam das casas de família, não tinham aonde ir. Desde 1997, existe a casa, onde as mulheres realizam trabalhos de artesanato, discutem políticas indígenas e fazem seminários de educação", explica. A sede da associação fica no conjunto Villar Câmara, rua 6, no 156. "As mulheres indígenas quando não têm para onde ir, ficam na casa até arrumar outro emprego", conta Gorete.
A Amarn conta com 56 associadas atualmente e os artefatos de artesanato produzidos por elas podem ser adquiridos na praça Tenreiro Aranha, no Centro, onde a associação possui uma barraca, e na Central de Artesanato Branco e Silva, na rua Recife, onde a associação também possui um box.
Ao contrário do que possa parecer, a técnica artesanal utilizada pelas mulheres do Alto Rio Negro não é oriunda de tribos indígenas ou comunidades ribeirinhas. "Aprendemos muito com as irmãs salesianas. Algumas peças trazemos da região do Alto Rio Negro já prontas, como as peneiras, que são feitas por homens e cujos desenhos têm significado para os indígenas", explica a coordenadora-geral.
As artesãs Pedrina da Silva Romero e Clara Gomes Vasconcelos, ambas do distrito de Iauaretê, fazem parte da Amarn. Pedrina, que já está em Manaus há mais de 20 anos, foi trazida do Município de Melo Franco, na fronteira com a Colômbia. Já Clara, está na cidade há apenas um mês e veio de uma localidade conhecida como Urubuquara. A exposição "Amarn em foco" fica em cartaz até o dia 31 de março.
Encerrando a programação da Semana da Mulher, o Manaus Shopping São José vai realizar na próxima sexta-feira, dia 8, a partir das 19h30, em sua praça da alimentação, o Talk Show "Papo na Praça", que vai ser apresentado pela designer Suely Moss, que vai entrevistar cinco mulheres de expressão da cidade, entre artistas, empresárias e profissionais liberais.
Entre as presenças confirmadas, encontram-se a cantora Lucinha Cabral - que realizará números musicais entre as entrevistas -, a empresária Fátima Magalhães e a estilista Yukie Lima.
Ainda no dia 8, vai haver distribuição de convites para a casa noturna Mazika Hall, onde vai acontecer uma festa também em homenagem às mulheres.
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