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Mulher grávida denuncia ação de PF's

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
30 de Set de 2005

A professora Perla da Silva Santiago, 27, índia da comunidade do Taxí 2, procurou ontem a Polícia Federal para denunciar o abuso sofrido durante a prisão do tuxaua da comunidade, Fernando Salomão. Grávida de seis meses, ela contou que foi empurrada duas vezes e ficou sob a mira de uma arma enquanto durou a ação. Ela denunciou o caso no Ministério Público Federal.
Segundo Perla, ao descerem dos quatro carros, os agentes ordenaram a todos que deitassem no chão. "Eu disse que não podia deitar com essa barriga e, nervosa, fiquei andando, aí o policial me deu dois empurrões", contou, dizendo que por causa disso, passou mal e teve que ser trazida para avaliação médica no Hospital Infantil Nossa Senhora de Nazareth.
Perla foi até a Superintendência da Polícia Federal acompanhada de Delton Melo, ferido na perna com uma bala de borracha e por um grupo de cerca de dez indígenas da comunidade, que vieram para Boa Vista revoltados com a ação, considerada por eles desnecessária e violenta. "Se eles queriam só prender o tuxaua, não precisava daquela violência toda", comentou o agente de saúde, Castelo Magalhães de Melo.
Ele relata que os 12 policiais que faziam parte da operação apontaram suas armas para mulheres e crianças. Assustados, os menores teriam corrido para o mato, atendendo também à ordem dos agentes, que os mandou correr.
Policiais ouvidos pela Folha consideraram a ação "perfeita". Em quatro minutos eles fizeram a abordagem e cumpriram o mandado de prisão. O grupo foi dividido em duas equipes: uma para algemar o tuxaua e a outra para fazer a segurança do local e impedir o revide da população, quase toda pertencente à mesma família. Eles tinham armamento carregado com munição de verdade e diversos tipos de granadas usadas para controlar distúrbios.
O superintendente da Polícia Federal, José Francisco Mallmann, disse que o caso da professora será investigado no inquérito já aberto para apurar as circunstâncias em que Delton Melo foi ferido.
Ele disse que o policial responsável pela agressão contra a professora afirmou que o empurrão foi necessário para defender-se da mulher grávida. "Ela o desacatou e partiu pra cima dele. Ela usou a gravidez para peitar o agente", afirmou o superintendente.
Segundo Mallmann, se ficar comprovado o desvio de conduta do policial, cujo nome foi omitido, o caso vai para a Corregedoria para abertura de processo administrativo disciplinar. No processo penal, pode haver acusação por abuso de autoridade e agressão física.
MANIFESTAÇÃO - O advogado Valdemar Albrecht, que vai atuar como assistente da acusação contra a ação dos policiais federais, informou ontem que durante todo o dia de hoje indígenas, vereadores, deputados federais e senadores farão manifestações na Superintendência da Polícia Federal em protesto pela postura que a instituição vem tomando diante dos problemas ocorridos na reserva Raposa/Serra do Sol.
Albrecht informou ainda que pretende ajuizar hoje pedido de relaxamento da prisão preventiva dos tuxauas Genival Silva e Fernando Salomão, presos na última terça-feira acusados de liderar o grupo que incendiou a Missão Surumu.

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