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Mulher entra em coma depois de levar pedrada de índios que ocupam Funai

Jornal de Londrina - PR http://migre.me/jB8R
Autor: Daniel Costa
08 de Fev de 2010

Uma mulher de 34 anos está internada em estado grave no Hospital Evangélico de Londrina com traumatismo craniano depois que índios, que ocupam há 25 dias a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) na cidade, teriam jogado uma pedra no carro em que ela estava com o marido. O fato ocorreu na madrugada do último sábado (6). Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o estado de saúde de Érica Pedrão Brito é grave. Na manhã desta segunda-feira (8), ela respirava com a ajuda de aparelhos e no fim de semana passou por uma cirurgia para drenar um hematoma no cérebro.

A assessoria de imprensa da família da vítima informou que Érica e o marido estavam voltando de um churrasco na casa de amigos. Quando eles trafegavam pela Avenida Celso Garcia Cid, próximo a sede da Funai, o carro, um Fusca, foi atacado pelos índios. Os dois não teriam visto as barreiras colocadas pelos indígenas na rua, quando os índios começaram a arremessar as pedras. Assustado, o marido de Érica acelerou o veículo para fugir dos índios, mas um bloco de concreto, semelhante a um pedaço de meio-fio, atingiu o capô do Fusca, quebrou o para-brisa e acertou a cabeça de Érica que ainda tentou se proteger.

Já o índio Eloi Jaci, um dos ocupantes da sede da Funai, disse que os indígenas não estão usando pedras em seus ataques. Ele afirmou que são utilizados apenas pedaços de madeira, conhecidos como bordunas e que seriam acessórios de caracterização dos índios. Jaci afirmou que o ataque ao carro no qual estava Érica ocorreu depois que ele ultrapassou a barreira em alta velocidade. "Pedimos para ele reduzir a velocidade, mas o carro passou por cima das barreiras e chegou a trafegar na direção dos índios. Quando eles se aproximaram da segunda barreira houve o confronto, mas não usamos pedras", relatou.

O indígena afirmou que o ataque ocorreu minutos depois que um índio de 14 anos foi baleado na perna. O adolescente recebeu atendimento médico e foi liberado. Ele disse que o ocupante de um carro, que passou em alta velocidade, teria atirado contra os índios. "Estávamos assustados com esse fato e resolvemos trancar toda a rua, mas esse carro [o de Érica] furou o bloqueio, pedimos para o motorista reduzir a velocidade, porém ele acelerou ainda mais e houve o ataque", disse Jaci.

Além de estar revoltada com a agressão, a família da vítima diz estar "inconformada com o jogo de empurra entre as polícias". De acordo com a assessoria, nenhum policial civil quis fazer o boletim de ocorrência alegando que o caso era de competência da Polícia Federal (PF). No entanto, o delegado da PF em Londrina, Evaristo Kuceki, explicou que a responsabilidade neste tipo de ocorrência é da Polícia Civil. "Só intervimos nos casos em que há interesse coletivo dos índios, como a invasão de áreas indígenas, ou quando há um ataque ao patrimônio da União, como no caso em que os manifestantes atearam fogo em um dos carros da Funai", disse.

O delegado-chefe da Polícia Civil, Sérgio Barroso, afirmou que determinou, na manhã desta segunda-feira (8), ao delegado de Homicídios, Paulo Henrique Costa, que instaure dois inquéritos policiais. Um investigará a denúncia dos índios sobre a tentativa de assassinato e outro para investigar a agressão contra Érica. "Já estamos solicitando imagens de câmeras de segurança da região para tentar identificar os índios que realmente participaram desta agressão. Eles responderão por lesão corporal grave", disse.

Índios ocupam Funai há 25 dias

A invasão da Funai em Londrina é uma forma dos índios protestarem contra o decreto 7.056/09, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 28 de dezembro, que prevê a reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e a extinção das administrações regionais do órgão no Estado, assim como de todos os Postos Indígenas.

Desde o início do ano, os indígenas já realizaram várias manifestações. Em uma delas, no Calçadão Central, os índios queimaram dois bonecos, um representando o presidente Lula e outro o presidente da Funai, Márcio Meira.

No dia 29 de janeiro, eles colocaram fogo e destruíram a pauladas um carro de serviço em frente à sede da fundação. A decisão de queimar o veículo veio após o recebimento de um ofício de Brasília que autorizava os funcionários da Funai de recolher todos os bens e transferi-los para uma nova coordenação. Assim como foi formalizado o fechamento do escritório. A medida foi entendida como um retrocesso nas negociações entre governo e índios.

O indígena Eloi Jaci afirmou, na manhã desta segunda-feira (8), que os 180 índios que ocupam a Funai não deixarão o local até que ocorra uma definição para o impasse.

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