O Globo, Eco Verde, p. 40
Autor: VIEIRA, Agostinho
15 de Dez de 2011
Muita conversa, pouco resultado e clima quente
Agostinho Vieira
oglobo.globo.com/blogs/ecoverde
A conferência do clima que acabou domingo, em Durban, na África do Sul, lembra aquela conversa de dois cariocas que se encontram na rua: "Me liga... Passa lá em casa". É pouco provável que essa ligação aconteça e, se um aparecer na casa do outro, será uma enorme surpresa. Combinar que se vai debater um acordo global de redução das emissões de gases de efeito estufa para depois de 2020 segue a mesma lógica. E a "vaquinha" de U$ 100 bilhões para ajudar os países pobres sem que ninguém ponha ou tire a mão do bolso?
Há 17 anos, líderes de 200 países vêm se reunindo sob a coordenação da ONU para discutir e não chegar a lugar algum. Seis países, entre eles o Brasil, são responsáveis por mais de 50% das emissões. Um acordo entre 20 países resolveria 80% do problema.
A tabela ao lado mostra emissões históricas, de 1850 até 2005, e a lista dos responsáveis.
O CO2 sobrevive na atmosfera por até 200 anos. Gases emitidos no início do século XIX estariam aquecendo o planeta do século XXI.
Empresário e ambientalista, Israel Klabin acha que falta foco. Para ele, deveriam ser discutidas soluções concretas, como uma matriz energética limpa, que reduziria em muito as emissões. O potencial de ganho com eficiência energética nos EUA é de 30%.
Outra forma de caminhar mais rápido seria o incentivo aos créditos por desmatamento evitado ou por áreas replantadas.
Os debates sobre aquecimento global sofrem de falta de crença no futuro e de carência de vontade política no presente. As conseqüências vão de graves, muito graves a catastróficas. Quase todas no futuro. E a longo prazo, diria o poeta, estaremos todos mortos. No presente, a questão é muito mais geopolítica e econômica do que ambiental. O jornalista George Monbiot, do "Guardian", diz que a luta contra o aquecimento é uma luta contra nós mesmos. Contra um padrão de consumo insustentável para todos.
O Globo, 15/12/2011, Eco Verde, p. 40
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