CB, Cidades, p. 28
04 de Jul de 2007
Mudas de esperança
Empresas, governo e Ong se unem para recuperar nascentes plantando árvores nativas do cerra
Morillo Carvalho
Da equipe do Correio
Cerrado: vegetação nativa do Planalto Central. Um dos maiores ecossistemas do mundo, que ocupava, originalmente, um quatro do território brasileiro. No Distrito Federal, apenas 20% dele sobreviveu aos impactos da urbanização. Mas uma boa notícia surge, no momento em que o mundo todo se preocupa com o aquecimento global e que a ONU divulga relatório que mostra que as metas para 191 países reduzirem a pobreza e a degradação ambiental até 2015 não serão cumpridos. No Distrito Federal, governo, empresas e terceiro setor se unem para promover iniciativa com objetivo de diminuir o aquecimento global e os impactos ao meio ambiente.
É o programa Plantando o Futuro, da ONG Amigos do Futuro - em parceria com a iniciativa privada, Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap) e Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Seduma). O lançamento será hoje, às 20h, na churrascaria Porcão. A proposta é que as empresas neutralizem a emissão de carbono na atmosfera, por meio do plantio de mudas nativas em nascentes de rios.
Uma companhia paulista, que faz consultoria ambiental para organizações, medirá a quantidade de carbono que as empresas interessadas no programa emitem por ano. De posse desta informação, calculará quantas mudas são necessárias plantar para que o impacto provocado pela emissão do tóxico seja zero. A idéia parte do princípio estabelecido no Protocolo de Quioto como "mecanismo de desenvolvimento limpo", que permite a redução das emissões de gases de efeito estufa ou o aumento da remoção de gás carbônico, mediante investimentos em tecnologias mais eficientes, substituição de fontes de energia fósseis por renováveis, racionalização do uso da energia, florestamento e reflorestamento.
A ONG e a Seduma cuidarão das mudas por cinco anos - tempo suficiente para que sobrevivam sozinhas. Segundo mapeamento da Secretaria, 200 nascentes precisam do urgente plantio de árvores para garantir a sobrevivência de rios importantes para o Brasil. O Distrito Federal abriga nascentes das bacias do São Francisco e da Prata, por exemplo.
As mudas serão produzidas no viveiro da Funap.
O diretor administrativo e financeiro da entidade, Júlio César de Martins de Pinheiro, destaca o impacto socioeducativo do programa, pois amplia a projeção de sentenciados em regime semi-aberto trabalhando. "Hoje, são oito. Com o programa, poderão ser 10, 15, conforme a demanda", explica. Mais de 20 espécies são cultivadas no viveiro, que funciona dentro da Fazenda Papuda. Pequi, baru e cagaita são algumas delas. O custo médio de cada árvore é de R$12, mas varia de acordo com a espécie e a raridade.
"Iniciativas assim são bem-sucedidas porque partem da união entre os três setores", explica Rejane Pieratti, presidente da ONG. Ela se inspira em outros projetos com a mesma premissa, de que o carbono pode ser neutralizado com plantio de árvores. O lançamento do programa ocorre em uma das empresas que já fazem parte do Plantando o Futuro. Trata-se de uma rede de restaurantes, onde a coleta seletiva para o lixo produzido já faz parte da rotina, segundo Henrique Bertini, consultor de marketing do grupo. A unidade de Brasília vai plantar quatro mil mudas. "Todas as unidades da empresa, no dia do meio ambiente, distribuem mudas para os clientes, em parceria com o Ibama. Agora, a idéia é que toda a rede tenha também o selo de empresa amiga do futuro e faça adesão ao projeto", conta Bertini.
Engana-se quem pensa que só as grandes empresas produzem gás carbônico. "Qualquer pessoa é responsável pela produção do gás. Ele provém do acúmulo de lixo orgânico - não-reciclável -, da queima de carvão, do motor de veículos", explica Rejane.
Graças a preocupação de Eduardo Pereira dos Santos (dono de uma loja de moda), com o meio ambiente, 109 árvores serão plantadas por ano para a neutralização do efeito estufa - de acordo com o cálculo da consultoria ambiental. E não se trata de uma grande empresa. "Eu acho que qualquer empresário deve devolver ao meio ambiente alguma coisa, porque o capitalismo não se sustenta", defende.
Uma das iniciativas adotadas para se tornar "empresa amiga do futuro" foi a substituição de sacolas plásticas por de papel reciclado, "que também é reciclável", assegura Santos. Em outro projeto, transformou suas lojas em postos de reciclagem de sandálias de plástico transparente. O cliente devolve peças danificadas pelo uso, ao invés de jogá-las no lixo. O material é devolvido ao fabricante, que se encarrega de reciclá-lo.
Assim, a iniciativa beneficia a todos os envolvidos. O governo reforça a preocupação com a qualidade de vida dos brasilienses. As empresas promovem o desenvolvimento sustentável. A sociedade consegue respirar melhor. Mas o maior beneficiado é o meio ambiente, que sai ganhando com a proteção das águas, da vegetação e da qualidade do ar.
Espécies que serão plantadas
Pequi
Também conhecido por amêndoa-de-espinho e grão-de-cavalo,o pequi é o mais conhecido entre as espécies plantadas pela Funap. Amplamente utilizado na culinária do Centro-Oeste,possui fatores antioxidantes, segundo a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA).
Cagaita
Da mesma família da jabuticaba e da goiaba, a árvore da cagaita pode chegar até os 10 metros. Segundo o site do biólogo e botânico Fernando Tagagiba, é necessário atenção à quantidade de frutos consumidos que, em grandes porções, podem ter efeito laxante.
Baru
O Programa Biodiesel de Goiás pesquisa o potencial do baru para o uso em biocombustíveis. Estudo de pesquisadores da UnB concluiu que a amêndoa do fruto é rica em ferro e zinco. Ou seja: o fruto é bom para anemia e manutenção da reprodução e do crescimento.
CB, 04/07/2007, Cidades, p. 28
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