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Mudança no traçado de Jirau pode retardar obras

OESP, Economia, p. B11
22 de Mai de 2008

Mudança no traçado de Jirau pode retardar obras

Renée Pereira e Leonardo Goy

As alterações propostas pelo Consórcio Energia Sustentável do Brasil para a construção da Hidrelétrica de Jirau (3.300 MW) poderão atrasar a entrada em operação de todo o Complexo do Rio Madeira (que inclui a Usina de Santo Antônio, de 3.150 MW). Isso porque o grupo vencedor do leilão, na segunda-feira, decidiu mudar a casa de força da usina para um local 9 quilômetros distante do previsto no projeto inicial.

Na avaliação de alguns especialistas, a medida corre o risco de requerer uma revisão no EIA-Rima da obra. A questão é que se trata de um processo bastante demorado. Só para conceder a licença prévia das usinas, por exemplo, o Ibama demorou dois anos e impôs 33 condicionantes para a construção.

"O consenso diz que o empreendedor deve fazer a obra onde tiver menos custo e menos impacto ambiental. Mas, nesse caso, como já houve a licença prévia, pode haver complicações", afirma o ex-secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo José Goldemberg.

O Ibama prefere aguardar os estudos feitos pelo consórcio vencedor (formado por Suez, Camargo Corrêa, Chesf e Eletrosul) antes de emitir qualquer comentário a respeito..

A Hidrelétrica de Santo Antônio, arrematada pelo consórcio Madeira Energia (Odebrecht, Furnas, Cemig e o fundo formado por Santander e Banif), também teve mudanças no projeto, como levar o vertedouro para o centro do rio e 20 turbinas da margem esquerda do rio para a margem direita, destacou o Ibama.

O presidente do Madeira Energia, Irineu Meireles, que perdeu a licitação de Jirau para o Energia Sustentável, reclama que a mudança não estava prevista no edital e, portanto, não pode ser feita. "Os impactos ambientais não foram previstos nos estudos que basearam a licença prévia. Com isso, o Ibama vai querer rever tudo", diz, temendo que o problema possa atrasar a licença de instalação de Santo Antônio, em julho.

Meireles diz que vai esperar a avaliação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) antes de tomar qualquer decisão, como a de contestar na Justiça as mudanças propostas pelo consórcio Energia Sustentável.

Já Furnas, outro sócio do Madeira Energia, confirma que vai avaliar as "medidas judiciais cabíveis" contra o resultado do leilão, alegando que a mudança no escopo da obra alterou as condições iniciais da disputa.

A Aneel afirmou ontem que vai avaliar os estudos que ainda serão apresentados pelo consórcio vencedor antes de tomar alguma iniciativa.
Colaborou Nicola Pamplona

OESP, 22/05/2008, Economia, p. B11

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