A Gazeta
02 de Set de 2004
MT ilegal coloca país no Guiness
Daniel Pettengill
Da Redação
O Brasil será destaque na edição 2005 do "Guiness", o livro mundial dos recordes, como o país que mais desmata florestas em todo o globo. Por ano, desaparecem, em média, 22,264 mil quilômetros quadrados de mata na região amazônica. Grande parte desse "título" é atribuído a Mato Grosso, o campeão nacional de desmatamento, que promoveu a "limpeza" da vegetação em 10.416 quilômetros quadrados entre 2002 e 2003.
A publicação, que será lançada no Brasil pela editora Ediouro, embasou-se nos números do desmatamento reunidos a partir de 1900.
Ocupação dos espaços para o aproveitamento econômico, falta de políticas eficazes de desenvolvimento na região amazônica e derrubada de árvores sem licença ambiental são alguns dos fatores que ajudam a explicar o fenômeno. Juntos, Mato Grosso, Pará e Rondônia concentraram 80% das áreas desmatadas no país no ano passado. E, nos anos anteriores, a dinâmica foi a mesma.
Para o superintendente regional do Ibama no Estado, Hugo José Sheurer Werle, o problema está relacionado intrinsecamente com o não cumprimento das leis ambientais. Dos 1,850 milhão de hectares desmatados em Mato Grosso em 2003, mais de 1,3 milhão foram feitos às escondidas, sem licença do órgão. "Verificamos um grande índice de extração irregular no Estado, por isso estamos ampliando a fiscalização", afirma o superintendente.
Em Alta Floresta, o Ibama conta com o apoio de um helicóptero para ajudar na fiscalização. A vigilância também foi reforçada em Vila Rica, divisa com o Pará, e Aripuanã, ambas no extremo norte. O desafio adicional dos fiscais, segundo Werle, é enfrentar a reação de produtores rurais da região, interessados em manter a exploração a níveis elevados. Há alguns dias, uma equipe ficou retida em Gaúcha do Norte, sob o domínio de produtores, para que não lavrassem os autos de infração.
Bobagem - Para o diretor de Recursos Florestais da Fundação de Meio Ambiente de Mato Grosso (Fema), Rodrigo Justus, a inclusão do Brasil no Guiness por esse motivo é uma "bobagem", pois o levantamento não teria caráter científico. "Os EUA e a Europa já desmataram tudo o que podiam e agora voltam suas críticas para o Brasil. Mas não estou defendendo o desmate, não significa que tenhamos que seguir o exemplo deles", argumenta.
A Gazeta, 02/09/2004
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