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MPF assume ações de combate à epidemia de chikungunya em Dourados

Midiamax - midiamax.com.br
Autor: Idaicy Solano
23 de Mar de 2026

O MPF (Ministério Público Federal) assumiu a responsabilidade pelas ações de combate à epidemia de chikungunya na Reserva Indígena de Dourados, município distante 226 quilômetros de Campo Grande. Até o momento, foram registrados quatro óbitos, todos dentro do território indígena. As vítimas foram três idosos, de 60, 69 e 73 anos, além de um bebê, de apenas três meses.

Conforme nota divulgada pelo MPF, mais de cem colaboradores foram mobilizados em vistorias realizadas em mais de 4,3 mil imóveis urbanos, onde 90% dos focos foram encontrados em reservatórios de água, lixo e pneus nos domicílios. Na área, foi feito tanto o bloqueio mecânico de remoção dos criadouros quanto o bloqueio químico por meio de borrifação e UBV costal.

Já a equipe de Itaporã concentrou os serviços na Aldeia Bororó, mobilizando 19 servidores, incluindo agentes de endemias e agentes comunitários indígenas. Foram visitados 465 imóveis, com a eliminação de mais de mil depósitos de criadouros. No local, foi feito o bloqueio mecânico e químico, com a aplicação de larvicida BTI, e realizado fumacê em 138,5 km.

Nesta sexta-feira (20), a Prefeitura de Dourados decretou situação de emergência da saúde pública após o município apresentar avanço significativo nos casos de chikungunya, tanto em área urbana quanto na reserva indígena. Também será feita uma ação vacinal massiva, com o apoio de dois "vacimóveis" cedidos pelo Governo do Estado.

Plano estratégico

Diante da emergência, a Sesai elaborou o 'Plano Estratégico de Resposta Emergencial', estruturado em cinco eixos fundamentais: saneamento e saúde ambiental, assistência, educação em saúde, controle vetorial e vigilância epidemiológica.

Além disso, foi instalado um ponto de apoio na quadra da escola da Aldeia Jaguapiru II, que opera diariamente das 7h às 17h. Atualmente, o atendimento diário é realizado pela Emsi (Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena), do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena), pela Rede Ebserh, e pela Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde), que disponibiliza profissionais voluntários para o suporte assistencial direto, com foco em ações em conjunto no manejo clínico de hidratação e estabilização.

Também foi criada uma Sala de Situação no Polo Base de Dourados, coordenada pela SES (Secretaria Estaual de Saúde), para emitir boletins epidemiológicos diários e consolidar os dados da crise. As equipes de lideranças acompanham, em tempo integral, os trabalhos realizados, contando, ainda, com a participação voluntária da própria comunidade.

Reunião técnica

Na ultima sexta-feira (20), foi realizada uma reunião técnica, em formato híbrido, sediada na Procuradoria da República no Município de Dourados, sob a presidência do MPF, representado pelo procurador da República Dr. Marco Antonio Delfino de Almeida. O encontro reuniu representantes do Governo Federal, do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, das Prefeituras de Dourados e Itaporã e da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz).

A reunião foi pautada pelo enfrentamento do surto epidêmico de chikungunya na Reserva Indígena de Dourados, sendo discutidas ações de assistência em saúde, saneamento básico, segurança alimentar e a regularização urgente da frota de transporte de pacientes.

Durante a sessão, foi exposto que a reserva enfrenta uma "crise severa", com centenas de casos confirmados e o registro de quatro óbitos. As autoridades classificaram a situação como uma "tragédia anunciada", devido a alertas quanto à precariedade do abastecimento de água.

A doença impactou trabalhadores diaristas, responsáveis pelo sustento de suas famílias, causando um quadro crítico de insegurança alimentar nas comunidades, além de forçar a paralisação das aulas devido ao adoecimento de alunos e professores.

Diante da situação, os representantes das instituições que participaram da reunião assumiram, de forma conjunta, a responsabilidade do enfrentamento do surto da doença, "empenhando nossos esforços e recursos para que a saúde e a vida dos povos indígenas prevaleçam incondicionalmente sobre quaisquer entraves burocráticos, contratuais ou administrativos", afirma a nota divulgada pelo MPF.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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