JT, Cidade, p. A8
15 de Abr de 2004
MPE vai investigar cemitério químico em Guarulhos
O entulho depositado ilegalmente no terreno, no bairro de Lavras, pode ter contaminado o lençol freático
ARTHUR GUIMARÃES
O Ministério Público Estadual vai investigar o funcionamento do cemitério químico clandestino localizado no bairro de Lavras, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Como o JT denunciou ontem, por ser ermo, o terreno é utilizado para depósito ilegal de produtos tóxicos, o que é crime ambiental.
O entulho químico seria o responsável pela possível contaminação do lençol freático que abastece os 50 mil moradores de Lavras e o Aeroporto Internacional de Cumbica. Laudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) apontaram a presença excessiva de chumbo, bário e cromo na água subterrânea acumulada em um aterro do bairro.
"Vamos encontrar os responsáveis pelo crime. Alguém foi omisso nesse caso.
Ou a Prefeitura, que deveria fiscalizar o depósito ilegal, ou os proprietários dos imóveis da região, que deveriam, por lei, cuidar de seus terrenos", diz o promotor do Meio Ambiente de Guarulhos, Nadim Mazlon.
"Também pretendo apurar detalhadamente a possibilidade de que o lodo retirado do Rio Tietê esteja contaminando o lençol freático, já que esse material é depositado em um aterro de Lavras", acrescentou.
O diretor de Planejamento e Projetos do Sistema de Água e Esgotos de Guarulhos, Afrânio de Paula, admite que os laudos do IPT mostram um risco de contaminação futura da água que abastece a região. No entanto, o diretor alega que, atualmente, a água utilizada pelos moradores de Lavras e passageiros do Aeroporto de Cumbica está totalmente livre das substâncias tóxicas encontradas no cemitério químico. "Nossos testes são rigorosos e diários. A comunidade pode ficar tranqüila que a situação jamais fugiu de controle."
'A fumaça brota do chão'
Ontem, homens do Corpo de Bombeiros e técnicos da prefeitura de Guarulhos estiveram novamente no local do cemitério químico para retirar uma substância preta depositada irregularmente no local, na madrugada de terça-feira.
Mais de oito caçambas do material tóxico já foram retiradas.
Os moradores da Favela Presidente Vargas, vizinha do cemitério, reclamam do mau cheiro. "Jogam de tudo nessa área: cadáver, entulho e esses produtos.
Tem dia que a fumaça brota do chão, como se fosse mágica", conta a desempregada Fátima Aparecida, 19.
Ela contou que seu filho Gustavo, de 1 ano de idade, costuma ter diarréia freqüentemente, o que pode ser um sinal de contaminação. "Somos obrigados a passar pelos terrenos. Não dá para não respirar esse vapor quente", reclama.
A Infraero não forneceu os boletins de verificação da qualidade da água utilizada no Aeroporto Internacional de Cumbica, apesar de sustentar que há unia análise diária no abastecimento.
Como o aterro onde era depositado o lodo retirado cio Rio Tietê teve a licença ambiental cassada temporariamente pela Prefeitura, o material retirado diariamente do leito do Tietê está acumulado na margem do rio. Basta uma chuva intensa para que todo o lodo seja jogado de volta ao fundo do Tietê.
JT, 15/04/2004, Cidade, p. A8
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.