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MP pede indenização da Usina de Jirau

O Globo, Economia, p. 26
24 de Ago de 2011

MP pede indenização da Usina de Jirau
Excesso de trabalho levou procuradores a cobrar R$ 4,9 milhões na Justiça

Cássia Almeida

O Ministério Público do Trabalho de Rondônia entrou ontem com ação civil pública, pedindo que a Justiça condene a Construtora Camargo Corrêa e o Consórcio Energia Sustentável do Brasil, responsáveis pela construção da Usina de Jirau, a pagarem mais de R$4,9 milhões em indenização por dano moral coletivo.
Segundo os procuradores Aílton Vieira dos Santos, Clarisse de Sá Farias, Paula Roma de Moura e Ruy Fernando Gomes Leme Cavalheiro, que assinam a ação, "foi constatado que alguns eletricistas da obra tiveram apenas um dia de descanso durante um mês inteiro de trabalho". Na ação, as empresas são acusadas de excesso de jornada de trabalho, falta de registro de controle de jornada e concessão irregular do intervalo entre as jornadas.
Segundo a ação, todo o percurso feito dentro do canteiro de obras, que pode chegar a uma hora e 20 minutos quando a frente de trabalho é na margem esquerda, não entra na contagem das horas "Para as frentes de trabalho situadas na margem esquerda do rio, os trabalhadores pegam ônibus na área de vivência e se deslocam até o atracadouro, onde atravessam o rio de lancha ou em balsa e, já na margem esquerda, novamente pegam condução até a frente de trabalho.
A usina foi palco de rebelião que parou 20 mil
Em março último, uma rebelião no canteiro da Usina de Jirau, que abrigava cerca de 20 mil trabalhadores, parou as obras de uma das maiores hidrelétricas do país e uma das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O canteiro foi depredado. As paralisações se alastraram pela grandes obras de infraestrutura do país, com cerca de 80 mil trabalhadores cruzando os braços. Os operários denunciavam truculência no relacionamento com os encarregados, falta de pagamento de hora extra, dificuldade para visitar a família e reivindicavam aumento salarial e participação nos lucros. Uma comissão formada por sindicatos, empresários e governo foi criada para resolver a crise nos canteiros. Além do aumento salarial, conseguiram uma folga maior para ver a família.
Procurados, o Consórcio Energia Sustentável do Brasil e a Construtora Camargo Corrêa não se pronunciaram.

O Globo, 24/08/2011, Economia, p. 26

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