OESP, Metrópole, p. C3
01 de Jan de 2007
MP dá prazo de 30 anos para Guarulhos tratar esgoto
Camilla Haddad
O Ministério Público Estadual (MPE) determinou à prefeitura de Guarulhos que, em 30 anos, trate 100% do esgoto que produz - e que é despejado no Rio Tietê. Para o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente da capital, Eduardo Jorge, a medida é "insuficiente". "Prever que só em 30 anos Guarulhos deixará de poluir o Tietê é uma tolerância excessiva com o município e uma intolerância excessiva com o rio." Ele explicou que, no acordo firmado, um item prevê que o tratamento nos primeiros dez anos será de 2,5% a cada ano. "No final de dez anos apenas 25% dos esgotos serão tratados. Estamos falando de 2017, 100% só em 2037." O acordo judicial aguarda aprovação da 7ª Vara Cível de Guarulhos. A prefeitura pode recorrer.
O promotor de Meio Ambiente de Guarulhos, Zenon Lotufo, responsável pelo processo movido há quatro anos contra a prefeitura, contou que Guarulhos queria 40 anos para resolver o problema. "O prazo era inaceitável. O procedimento não passará de 30 anos."
Procurada pela reportagem, a Assessoria de Imprensa da prefeitura de Guarulhos informou que desconhece o acordo com o MPE. Por e-mail, informou ainda que a prefeitura negocia com a Sabesp desde 2001 a inclusão de Guarulhos no Projeto de Despoluição do Rio Tietê e que "a questão não pode ser vista de forma isolada, pois o município está na Região Metropolitana de São Paulo".
Poluidores
Das seis cidades da Região Metropolitana poluidoras dos Rios Pinheiros e Tietê, Guarulhos é a que mais despeja resíduos no Tietê - lança mil litros de esgoto por segundo no rio - o equivalente a duas piscinas olímpicas por hora, sem nenhum tratamento.
Outras cidades da Região Metropolitana também poluem as bacias do Tietê-Pinheiros. De 1,3 milhão de m³ de esgoto coletados todos os meses, só 170 mil m³ vão para tratamento. Em São Caetano, o diretor do Departamento de Água e Esgoto (Daae) da região, Júlio Marcucci, diz que ainda falta tratar 50% de esgoto que é lançado em rios. Já a prefeitura de Diadema admite que polui o Tietê, mas quer ação conjunta com o Estado. As prefeituras de Mauá e Itaquaquecetuba não responderam.
OESP, 01/01/2007, Metrópole, p. C3
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