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Mozarildo quer que 300 mil hectares sejam excluídos da área de Raposa.

Brasil Norte-Boa Vista-RR
09 de Fev de 2004

Coordenador da Comissão que visita o Estado de Roraima desde ontem, o senador Mozarildo (PPS) disse ontem não ser contra os índios e que sua intenção é apenas debater a extensão das reservas. "Mesmo os índios que vivem na área da Raposa/Serra do Sol não querem esse tipo de demarcação", garantiu.
O senador considerou um "confisco de terras" feito pela União a destinação de regiões tão extensas para reservas ambientais e indígenas. Segundo ele, esse tipo de decisão é tomada por órgãos de segundo escalão, como o Ibama e a Funai. "Vamos propor medidas legislativas claras que tragam benefícios aos envolvidos na questão. E não queremos muito não. Basta que dos 1,7 milhão de hectares da área de Raposa Serra do Sol, 300 mi sejam excluídos. Feito isso tá resolvido o problema", disse.
Ao questionar os critérios que são adotados hoje para as demarcações, Mozarildo Cavalcanti voltou a defender que o Senado passe a ter a palavra final sobre a questão.
"É um absurdo uma decisão que muda a área física dos estados ser feita por portaria e depois não poder ser mudada pelo presidente e nem pelo Congresso Nacional", criticou Mozarildo. Ele destacou ainda que os índios representam 0,2% da população, mas já contam com 12% do território nacional demarcado. "Não podemos demarcar prejudicando os não índios. Ou estamos comprando passagem de volta para 1500. Será isso que os índios querem?, questionou. "Os índios precisam de terras, mas não de metade do Brasil".
Mozarildo garantiu que o relatório da Comissão conterá encaminhamento de propostas racionais para a questão de Raposa, que serão encaminhadas ao presidente Lula, ao representes do Congresso e as entidades envolvidas no processo demarcatório da área.

Magistrado
Eloqüente e apurado nas colocações, o senador amazonense Jéferson Pérez disse que vai atuar como magistrado na questão de Roraima.
"Nada de emocioalismo. Não me importa a retórica", disse avisando que se sustentará na racionalidade.
E admitiu que se demora muito nas decisões em relação a causa indígena no país, sobretudo na Amazônia.
Choque térmico
Pérez confessou-se chocado quando informado que já existem movimentos que pretendem engolir o Parque Nacional do Monte Roraima nessa onda toda de homologação de Raposa.
Assim como o colega Mozarildo, Pérez tem convicção plena de que o Congresso está sendo omisso - até por uma questão legal -, na discussão da política indigenista.
- Não podemos ficar alheio a um problema tão grave e importante para a Nação. A decisão final tem que ser do Congresso.

Distorções
O historiador Amazonas Brasil, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Roraima, atribui a maliciosos antropólogos as facilidades criadas para o expansionismo de reservas indígenas em Roraima.
Segundo ele as demarcações de antigamente eram determinadas através de laudos imemoriais, mais tarde substituídos por terras tradicionais.
"O que vejo hoje é que tudo trama contra a pacificação das áreas. Parece que quase todo mundo defende e se empenha pela desagregação e pelo apartheid", observou Amazonas.

Descrédito total
O presidente da Assembléia, Mecias de Jesus, vê no Congresso o fio de esperança para reverter a situação de Raposa.
"Não acredito em providência nenhuma que venha do governo", disse ontem ao discursar na Comissão do Senado.
E arrematou: "são tantas bravatas do pessoal do governo e informações equivocadas que perdi a crença em uma solução que parta do Palácio do Planalto".

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