O Globo, Rio, p. 20
20 de Dez de 2013
Movimento indígena enfrenta divisão
Líderes de 50 etnias repudiam, em carta, invasão de seminário
Waleska Borges
RIO - O movimento indígena que discute o futuro do antigo Museu do Índio, no Maracanã, está dividido. Enquanto um grupo, que se intitula Aldeia Maracanã Resiste, ainda quer discutir com o governo, outro está em plena negociação e assinou uma carta repudiando a invasão do seminário que debatia a construção, no local, do Centro de Referência da Cultura dos Povos Indígenas, na quarta-feira. Segundo a Secretaria estadual de Cultura, o encontro foi interrompido por 30 manifestantes liderados pelo índio José Guajajara, que no início da semana ficou 26 horas em uma árvore em protesto contra a desocupação do antigo museu.
Os líderes indígenas, representantes de cerca de 50 etnias, acusam, na carta, o grupo invasor de tentar inviabilizar o trabalho que estava sendo feito no seminário. Neste estava prevista a assinatura de um protocolo de intenções entre a Secretaria de Cultura e os líderes indígenas. Na carta, eles contam que os representantes do Aldeia Maracanã Resiste invadiram o seminário, chamando-os de "índios capitalistas" e "traidores da cultura indígena". E afirmam que o movimento Aldeia Maracanã Resiste tem a "infiltração de outros interesses pessoais e políticos, que nada têm a ver com a causa indígena".
Já a professora de biologia Mônica Lima, da etnia manauara arwak, afirma que os líderes presentes no seminário não representam os ocupantes do antigo Museu do Índio. Segundo ela, o movimento não quer um centro de referência, e sim uma universidade indígena:
- Essa é uma proposta mercadológica que não valoriza a cultura indígena. Esse centro quer transformar o índio em apenas uma presença folclórica.
Nesta quinta-feira, cerca de 30 ativistas do grupo se reuniram na Fundação Darcy Ribeiro, em Santa Teresa. O presidente da entidade, Paulo Ribeiro, informou que nove índios pediram ajuda para contactar a secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes. Ribeiro disse que ela teria concordado em participar de uma reunião, em data e local ainda a serem definidos. A secretaria, por sua vez, afirma que o grupo rompeu as conversas anteriores unilateralmente.
O Globo, 20/12/2013, Rio, p. 20
http://oglobo.globo.com/rio/movimento-indigena-enfrenta-divisao-11119619
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