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Movimento em Defesa dos Povos Indígenas questiona motivação em Guaíra

Jornal do Oeste - http://www.jornaldooeste.com.br
01 de Dez de 2013

Os três suspeitos de envolvimento no crime se apresentaram à Polícia Civil

No último domingo (24) o índio Guarani da Aldeia Tekohá Mirim de Guaíra, Bernardino Dávola Goulart, foi assassinado e uma criança de 10 anos baleada na cabeça no centro da cidade. Os órgãos de segurança apontaram e continuam sustentando - por relatos de testemunhas e acusados - que os fatos têm relação com uma briga de bar. Porém, o Movimento em Defesa dos Povos Indígenas Oeste PR questionam esta versão. Ele levanta a possibilidade da morte ter envolvimento com o conflito de terras e raças na região. Uma nota pública foi divulgada na quinta-feira (28) solicitando "uma profunda investigação".

Diversas pessoas de Toledo, Marechal Cândido Rondon, Palotina e Guaira, que já lutavam pelas causas indígenas se reuniram na última terça-feira (26) e formaram o movimento, composto por cidadãos, organizações e militantes sociais na defesa dos direitos dos povos indígenas e pela demarcação de terras. O encontro também resultou na elaboração da nota pública em solidariedade e repúdio à "atrocidade cometida contra a vida Guarani".

Na nota, o movimento reforça o conflito anunciado na região devido às brigas pela demarcação de terras entre ruralistas e índios e as campanhas de "disseminação de ódio e mobilização contrária aos povos indígenas, incentivada pelos defensores das oligarquias locais e as organizações ruralistas".

O texto levanta ainda o questionamento da morte de Bernardino Dávola Goulart e a tentativa contra a criança. Para o movimento, os crimes podem ter relação com tais conflitos, não apenas ser consequência de uma briga de bar. "Em visita às aldeias Tekohá Y'Hovy e Tekohá Mirim, as lideranças nos informaram que várias ameaças já ocorreram desde o início do ano como forma de intimidar os indígenas", afirma o documento.

Ele pontua ainda que os povos Guarani sempre estiveram presentes na região, resistindo as "atrocidades cometidas pelo "homem civilizado"" e mantendo firmes a sua luta. "E nós pretendemos fortalecer esse movimento.

Solicitamos publicamente uma rápida investigação para encontrar os assassinos e os possíveis mandantes do crime e a subsequente punição.

Para resolução do conflito, é necessária a retomada dos estudos para a demarcação. É preciso defender a vida acima do lucro!", finaliza.

INVESTIGAÇÃO

Já a Polícia Civil (PC) de Guaíra afirma que a linha de investigação segue para homicídio sem relação com disputa de terra ou ódio racial, embora o inquérito ainda não tenha sido finalizado. Ela garante que houve no início especulações sobre o tiroteio estar relacionado aos conflitos da região, mas que as testemunhas e acusados afirmam que não.

Os três suspeitos se apresentaram à PC, entregaram a arma supostamente usada no crime e afirmaram que foi motivado por embriaguez. Os dois adolescentes e o maior, que já possui passagem pela polícia, afirmaram que estavam bebendo no local e que haviam comprado uma caixa de cerveja, porém, que o índio passou e pegou a bebida, iniciando uma briga.

Após a discussão, os envolvidos foram para a casa, voltaram armados e dispararam contra o índio. "Segundo relatos deles, após atirarem contra o índio voltaram e dispararam seis vezes contra um grupo de índios para assustar, foi quando atingiram a criança indígena", detalha.

A PC afirma que o inquérito ainda está em fase de elaboração, serão ouvidas mais testemunhas, incluindo os índios. "O revólver calibre 22 será periciado e vamos investigar se a versão apresentada é a veracidade dos fatos. Mas, por enquanto a motivação não tem relação com estes conflitos de terra ou raça", garante o órgão de segurança. Os três acusados não ficaram detidos, pois não houve flagrante.

A criança que foi atingida está internada no Hospital Bom Jesus. Ela passou por cirurgia para a retirada da bala que ficou alojada na cabeça, mas está estável.

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