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Movimento contra hidrelétrica aponta impactos de obra em Roraima

Portal Amazônia- http://www.portalamazonia.com.br
05 de Set de 2014

Evento realizado nesta sexta-feira (5), na Universidade Federal de Roraima (UFRR), chama a atenção sobre o futuro das corredeiras do Bem-Querer, um dos principais pontos turísticos do Estado, no município de Caracaraí. Intitulado 'Salve o Rio Branco no dia da Amazônia, não à hidrelétrica', o encontro alerta sobre possíveis problemas que o Estado vai enfrentar devido à construção da hidrelétrica na região.

De acordo com o biólogo Ciro Campos, o principal problema que o Estado vai enfrentar é o desaparecimento de praias, de ilhas e peixes de pele, que não conseguem superar as usinas. Ele afirma que, com a obra, Caracaraí, Boa Vista e Mucajaí ficarão na beira de um lago, pois não haverá mais correnteza. "Precisamos saber se realmente é necessário estrangular o rio Branco, o nosso único e principal rio, para fazer uma hidrelétrica que já é considerada uma das piores da Amazônia, do século 21, pelos seus problemas de engenharia".

Questionado pela reportagem do Portal Amazônia sobre os comentários que surgiram de que as frequentes quedas de energia no Estado seriam provocadas com o intuito de acelerar a implantação da usina, o biólogo afirma que não foi comprovado nada até o momento. "O comprovado é que os quatro maiores doadores de campanha eleitoral no Brasil são as empreiteiras construtoras de hidrelétricas, então existe muita pressão para que elas sejam construídas, pois é uma obra estimada em cinco bilhões de reais. À medida que o projeto fica mais complexo esse valor é recalculado".
Área será alagada por conta da Usina, dizem especialistas.

A melhor solução segundo Ciro Campos é contar com as hidrelétricas que já existem e as que se encontram em fase de construção. "Acredito que o contrato com a Venezuela permaneça, embora com um fornecimento menor. Se o plano de desenvolvimento para o futuro for indústrias, a gente vai ter que construir muitas hidrelétricas porque Bem-Querer não vai dar conta".

Campos diz que são inúmeros os problemas para uma usina desnecessária, já que a previsão é que as obras terminem somente em 2025. Segundo o biólogo, os preços de energias que não agridem tanto o meio ambiente estão despencando a cada ano. Além disso, ele afirma que Roraima corre o risco do aumento de violência contra crianças e adolescentes durante a obra, como foi registrado em Belo Monte, e a destruição das corredeiras.

Organizado pelo movimento Puraké, a ação tem o objetivo de mostrar para a sociedade de Roraima os problemas que o Estado vai enfrentar devido à construção da hidrelétrica. "É um ato público, pois os roraimenses precisam conhecer as alternativas para evitar que isso ocorra".
Rio Branco pode virá lago com a construção da Usina de Bem Querer. Foto: Raimundo Lima

A obra

A Usina Hidrelétrica (UHE) do Bem-Querer é um projeto do Governo Federal. O projeto visa a construção da Usina nas corredeiras do Bem Querer, localizadas no município de Caracaraí, a 125 quilômetros de Boa Vista. A obra faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC 2. A potência identificada para a UHE é de 708,4 MW.

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