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Mourão diz que queixas dos europeus sobre Amazônia são "estratégia comercial"

Valor Econômico - https://valor.globo.com/politica/noticia
16 de set de 2020

Mourão diz que queixas dos europeus sobre Amazônia são "estratégia comercial"

Por Fabio Murakawa e Matheus Schuch, Valor

O vice-presidente Hamilton Mourão atribuiu nesta quarta-feira a uma "estratégia comercial dos países europeus" as queixas de países do velho continente de que a alta no desmatamento no Brasil está dificultando às empresas da Europa atender critérios ambientais para se abastecer. E classificou esse tipo de "estratégia" como uma "barreira não tarifária" que o país tem que solucionar com negociações comerciais, diplomáticas e ambientais.
Mourão respondeu, assim, à carta enviada pelos países da chamada Parceria das Declarações de Amsterdã, formada por Alemanha, Dinamarca, França, Itália, Noruega, Holanda e Reino Unido. Juntamente com a Bélgica, eles expressaram preocupação com "as taxas alarmantes" de derrubada da vegetação da Amazônia brasileira.
Segundo o vice-presidente, caberá ao Ministério das Relações Exteriores conversar com o embaixador alemão, Heiko Thoms, sobre o assunto. "Fizemos uma reunião para ver qual é o tratamento que teria sido dado. A decisão é que o Itamaraty vai conversar com o embaixador alemão", disse Mourão, que preside o Conselho da Amazônia, formado por 14 ministérios do governo Bolsonaro. "Na carta, eles colocam os representantes deles à disposição para o diálogo, aí nós estamos planejando aquela viagem à Amazônia. Vai ser feita no final de outubro." Segundo ele, serão levados, além dos europeus, embaixadores de outros países "para não ficar uma coisa tendenciosa".
"Isso não são investidores. São países. Vocês têm que entender o seguinte: faz parte da estratégia comercial dos países europeus esta questão da cadeia de suprimentos. Isso é uma barreira", afirmou. "Existem barreiras tarifárias e não tarifárias, então, isso daí a gente tem que fazer a negociação não só comercial, mas diplomática, como ambiental também."
Em referência a outros alertas já recebidos pelo governo brasileiro nos últimos meses, Mourão disse que a missiva dos europeus tem "o mesmo estilo que já recebemos de outros investidores, daquelas que já tivemos de ex-presidentes do Banco Central, aquela questão toda que vocês já conhecem".
"Aquela mesma conversa que vocês já viram em outras cartas. Mas não tem um tom agressivo, nada disso", afirmou. "O Itamaraty vai conversar com o embaixador alemão. Se for o caso, faz uma reunião com estes embaixadores específicos. Eles não citam dados ali. O ponto focal é um só: é a questão da cadeia de valor alimentar. Ou seja, a rastreabilidade dos produtos."
Mourão também fez referência à carta enviada pela coalizão de 230 entidades ligadas à indústria, ao agro e organizações ambientais, pedindo uma reação do governo à devastação da Amazônia. E disse que tentará criar um mecanismo de contratação para que funcionários dos órgãos ambientais permaneçam na Amazônia.
"Eu já conversei com eles. Os pontos que eles estão colocando ali são pontos importantes, principalmente o número um, que é a questão da recuperação da capacidade operacional, ele toca especificamente Ibama, ICMBio e Funai. O ministro [do Meio Ambiente, Ricardo] Salles já está trabalhando nisso", afirmou. "Tenho que criar um novo mecanismo de modo que, ao contratar gente, essa turma saiba que só vai para a Amazônia. Senão ele vai ficar dois anos para Amazônia e depois vai pedir para ir para Fernando de Noronha." O vice-presidente queixou-se ontem da divulgação de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), dizendo haver um "opositor do governo" na entidade. Hoje, ele se reúne com o diretor do instituto, Darcton Policarpo Damião, para discutir a "qualidade dos dados".
Ele atribuiu a recente alta nos incêndios no Pantanal ao descanso dos funcionários no feriado da Independência. "A questão que eu falei ontem, eu sei que aquele final de semana do 7 de setembro, parece que a nossa turma saiu fora, não combateu nada e a turma do fogo entrou para valer", afirmou. "Teve um aumento de 400% de fogo no final de semana do feriado. Para eles [devastadores] não tem feriado", afirmou.

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