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Autor: Sul 21
14 de Abr de 2026
A exposição "MAHKU - Vende tela, compra terra" vai ocupar o 1o andar expositivo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). A inauguração ocorre neste sábado (18), às 10h, simultaneamente à abertura da mostra "José Verá - Mbya Nhenhandu Reko: a essência da sabedoria Guarani", compondo um ciclo de exposições que dão uma mostra da produção artística indígena contemporânea brasileira. O evento contará com a presença do artista Ibã Huni Kuin, também curador da exposição ao lado do pesquisador Daniel Revillion Dinato. Com entrada gratuita, a exposição segue em exibição até 5 de julho.
A mostra resulta de uma parceria iniciada em 2023 com Dinato e o Movimento dos Artistas Huni Kuin (MAHKU), composto por artistas da nação Huni Kuin, etnia que reúne cerca de 16 mil pessoas que vivem na floresta amazônica, em uma região que abrange o Estado do Acre e o Peru. A exposição estreou na SBC Galeria de Arte Contemporânea de Montreal (Canadá), em 2022, passou pelo Museu Ilnu de Mashteuiatsh (também no Canadá), em 2024, e agora é apresentada pela primeira vez no Brasil.
Em mais de 10 anos de atuação, o grupo vem atuando e obtendo reconhecimento no campo artístico, a exemplo da exposição retrospectiva no Museu de Arte de São Paulo (MASP), em 2013, e da participação na 60ª Bienal de Veneza, no ano seguinte. As obras do coletivo integram as coleções da Fondation Cartier pour l'art contemporain, do Musée des Beaux-Arts de Montréal (MBAM), do MASP, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Museu de Arte do Rio de Janeiro, do Sesc Vila Mariana e do Musée Ilnu de Mashteuiatsh.
No MARGS, a exposição "MAHKU - Vende tela, compra terra" dá sequência a dois programas expositivos interligados: "Poéticas do agora", voltado à produção de artistas com pesquisas recentes em poéticas visuais, e "Histórias ausentes", dirigido a projetos de resgate, memória e reconsideração histórica.
Arte como resistência
A origem do MAHKU, em 2013, resultou da decisão de estabelecer um modo de atuação capaz de oferecer condições de subsistência ao povo Huni Kuin, a partir da comercialização da produção artística visual, inspirada nos rituais e conhecimentos ancestrais. Entre seus integrantes, além de Ibã Huni Kuin, estão os artistas Kássia Borges, Acelino Tuin, Cleiber Bane, Pedro Maná, Yaka Huni Kuin, Rita Huni Kuin e Cleudo Txana Tuin. Desde então, o grupo vem atuando no campo da arte e no circuito de exposições, tendo sido amplamente reconhecido em 2024, com sua participação na Bienal de Veneza.
A produção artística do grupo está profundamente vinculada à história de resistência do povo Huni Kuin, que foi submetido a regimes de exploração durante o ciclo da borracha, a partir do século XIX. Ibã Huni Kuin e sua família vivenciaram esse contexto e, nos anos 1980, iniciaram uma pesquisa para garantir a salvaguarda dos saberes tradicionais de seu povo. A partir de então, o coletivo passou a transformar e traduzir os "huni meka" - ou seja, os cantos que conduzem os rituais com ayahuasca do povo Huni Kuin - em pinturas, murais e desenhos.
Essa produção ganhou visibilidade a partir da publicação "Nixi Pae: o espírito da floresta" (2006), além de exposições como "O espírito da floresta - desenhando os cantos do nixi pae" (2011) e "Histoires de Voir" (2012). A partir disso, o coletivo foi formalizado, na Terra Indígena Kaxinawá do Rio Jordão. Desde então, a inserção das obras do grupo no mercado de arte é utilizada como estratégia de resistência, garantido estabilidade financeira e fortalecendo o processo de retomada cultural e territorial. A comercialização das obras viabiliza a aquisição de terras e a construção de casas e de ferramentas que facilitam o trabalho e o cotidiano na floresta.
A exposição no MARGS enfoca esse processo estratégico, reunindo pinturas, documentos, objetos e gravações em áudio que evidenciam a complexa prática artística contemporânea do MAHKU e sua concepção da arte como instrumento de luta pela autonomia do povo Huni Kuin. O título, aliás, remete à expressão cunhada por Ibã Huni Kuin, após a compra de cerca de seis hectares de terra com os recursos obtidos com a venda de uma tela realizada em 2016.
Serviço
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