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Mortes poderiam ter sido evitadas, diz Crea

OESP, Metrópole, p. C3
27 de Jan de 2011

Mortes poderiam ter sido evitadas, diz Crea
Relatório feito três dias após tragédia na região serrana aponta desrespeito à legislação ambiental na região

Pedro Dantas

Ao apresentar o relatório preliminar da inspeção na região serrana do Rio, o presidente do Conselho Regional de Arquitetura, Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro, disse que 80% das mortes seriam evitadas caso as prefeituras respeitassem a legislação ambiental do País. Até o início da noite de ontem, a pior catástrofe da história registrava 832 mortos.
"Técnicos apuraram que o desmatamento fez a velocidade da cabeça d"água atingir mais de 100 km/h em alguns trechos", afirmou. O documento lembra que a ocupação dos morros com inclinação maior de 45o é crime ambiental, porque são considerados Áreas de Preservação Permanente e recomenda a retirada da população desses locais.
Além do diagnóstico, o Crea-RJ sugere um conjunto de obras de baixo custo para evitar a repetição da tragédia. "São intervenções simples nas encostas e pequenas barragens no alto dos rios para controlar a velocidade e o volume das águas", disse.
O documento enfatiza que são necessários o reflorestamento dos morros e a recuperação da vegetação nas margens dos rios. As inspeções foram realizadas nos três dias seguintes à tragédia. O diagnóstico sobre as possíveis causas aponta que as chuvas tiveram uma magnitude maior do que o normal, mas o presidente do Crea-RJ refutou a tese de desastre natural pelo excesso de chuva. "Isso é um desserviço à população. Se o poder público tivesse removido os moradores das áreas de risco não teríamos esse número de mortos."
Sobre os deslizamentos das encostas, o relatório aponta que a população afetada morava em um terreno de "alta inclinação" e, por isso, os deslizamentos ocorreram até nos casos em que a vegetação estava preservada.
As moradias nas margens dos rios também foram consideradas agravantes. O documento cita ainda a inexistência de plano de contingência de cheias.

MP pede, desde 2009, remoção de casas em Friburgo

Marcelo Auler

Há dois anos, o Ministério Público do Rio tenta remover as casas erguidas em áreas de risco no bairro Floresta, em Friburgo, um dos locais mais atingidos pela tragédia. Não houve sentença no caso. A ação teve por base outra tragédia, de 2007, com 11 mortes, e mencionava o risco de deslizamentos, desabamentos e inundações.

OESP, 27/01/2011, Metrópole, p. C3

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110127/not_imp671692,0.php
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110127/not_imp671693,0.php

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