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Morte de índia acirra confronto

Diário de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: RODRIGO VARGAS
04 de nov de 2003

Ong que terceirizou atendimento à saúde em aldeias acusa o governo federal de omissão; Fundação rebate

A morte de uma criança bororo no início da tarde de ontem, possivelmente em função de pneumonia, acirrou ainda mais a controvérsia envolvendo a Fundação Nacional de Saúde e a ong Trópicos, que responde pelo atendimento a essa e outras seis etnias em Mato Grosso.

Manuele Toro Paiwá, de 1 ano, morreu pouco após ser transferida da aldeia Tadarimana para a Santa Casa de Misericórdia de Rondonópolis. Juntamente com o luto da família, começou a troca de acusações entre as parceiras - que por motivos antagônicos defendem a não renovação do convênio.

A Trópicos diz que a culpa pela situação precária do atendimento nas aldeias decorre principalmente do atraso no repasse das parcelas do convênio firmado com a Funasa. De acordo com o diretor da ong, Willi Seilert, a "divida" com fornecedores de medicamento já é de R$ 450 mil.

"O governo nos dá uma missão e logo após solapa, e em alguns casos sabota, qualquer possibilidade de termos êxito. Estamos asfixiados e o governo federal parece não perceber", reclamou Seilert. "Nossa capacidade de atendimento está muito prejudicada".

Segundo ele, a entidade aguarda desde setembro o repasse de uma parcela de R$ 600 mil. "Um de nossos carros quebrou há mais de 20 dias e não temos dinheiro para o conserto. O fornecimento do kit de medicamentos básicos foi cortado pelos fornecedores e as visitas às áreas estão suspensas".

Para o diretor da ong, o atraso faz parte de uma estratégia da Funasa para desacreditar o modelo terceirizado de atendimento, idealizado no governo de Fernando Henrique Cardoso e considerado por muitos como neoliberal.

"O modelo atual, que tem uma história de quatro anos, está sendo sucateado para viabilizar a retomada da governança e a entrega do serviço aos municípios", acusa Seilert. "Não estamos dispostos a continuar assim".

CONTAS - Além de prometer uma investigação completa sobre as causas da morte da índia bororo, o coordenador regional da Funasa, Sérgio Motta, reagiu com ironia ao ser informado da ameaça de rompimento feita pelo diretor da Trópicos. "São os índios que não os querem mais, não o contrário. A atuação dessa ong é reprovada por todos. Os parecis já se rebelaram".

O atraso do último repasse, apontou o diretor, seria em função de pendências na prestação de contas referente a parcelas anteriores. "Eles têm muitos problemas neste quesito. A situação foi regularizada no dia 24 de outubro e só então a entidade se habilitou a receber o novo repasse".

À reportagem do Diário, Seilert negou a afirmação: "Não temos qualquer pendência financeira, fiscal ou contábil com a Funasa".

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