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Moradores apóiam tombamento de APA na Barra

O Globo, Rio, p. 25
29 de Out de 2005

Moradores apóiam tombamento de APA na Barra

Proprietários de terrenos na Área de Proteção Ambiental de Marapendi temem o abandono e a favelização
A aprovação do projeto de lei que tomba a Área de Proteção Ambiental (APA) do Parque de Marapendi, votado a toque de caixa anteontem pela Alerj, foi comemorada com entusiasmo por associações de moradores da região, preocupadas com a especulação imobiliária e com a preservação da vegetação de áreas litorâneas. Contudo, proprietários de lotes de terra naquela região e a presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Vereadores do Rio, Aspásia Camargo (PV), acreditam que, se a governadora Rosinha Garotinho sancionar a lei, pode estar decretando a favelização da área, nos próximos anos.
- A especulação imobiliária na Barra tem sido um desastre para a natureza. Dizem que a área será invadida, mas isso é uma bobagem, o Aterro do Flamengo, por exemplo, nunca o foi - diz Luci Augusto de Carvalho, presidente da Associação de Moradores da Orla da Lagoa (Amol).
Eric Pereira, presidente da Associação de Moradores do Jardim Oceânico e Tijucamar (Amar), acredita que essa é a única atitude sábia em prol da preservação daquela APA:
- Temos que apoiar o tombamento. Creio que isso é muito importante para o bem-estar do bairro e o meio ambiente.
Empresário diz que área pode virar favela
O empresário José Leão, que representa o interesse dos proprietários de terra dentro da APA, diz que a área vai seguir os passos de outras tantas que, abandonadas, acabaram ocupadas por centenas de famílias:
- Infelizmente aquilo ali vai se transformar numa favela.
A intenção dos empresários que pretendem construir eco-resorts na APA vai virar pó caso o projeto vire lei, já que nada poderá ser alterado nos terrenos. A construção dos eco-resorts, diz Leão, ajudaria na sobrevivência do ecossistema:
- De que nos adiantaria um lugar feio e sujo em que ninguém sequer pudesse tomar banho, como aliás é o que ocorre há anos ali?
Leão afirma ainda que, se a área que tem quase dez quilômetros quadrados e que fica entre a Barra e o Recreio, não passar por um extenso e caro processo de revitalização, a natureza será totalmente destruída, em breve. Segundo levantamento da Coppe entregue à vereadora Aspásia Camargo, seriam necessários inicialmente R$30 milhões para revitalizar a APA.
- Naquela área o estado e o município nunca colocaram um centavo. Nos últimos tempos, os tombamentos ficaram muito desmoralizados, já que as pessoas acham que o meio ambiente tem que ser tratado com uma visão romântica. Quem vai pagar essa conta? - pergunta a vereadora.
O presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, Delair Dumbrosck, também é contra o tombamento:
- A APA já foi alvo de invasões por seis vezes. O município não tem dinheiro para fazer obras para implantar o parque - afirma Dumbrosck.
A assessoria do Palácio Guanabara disse ontem que o projeto ainda não chegou às mãos da governadora e que ela só se manifestará após estudá-lo.

O Globo, 29/10/2005, Rio, p. 25

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