OESP, Metrópole, p. C1, C3
28 de Mai de 2010
Montanha de entulho aterra várzea do Rio Tietê dentro do Parque Ecológico
Crime ambiental ocorre ao lado da construção do CT do Corinthians; clube nega envolvimento, mas vira alvo de inquérito policial
Diego Zanchetta
Uma área de 30 mil m² na várzea do Rio Tietê, dentro do Parque Ecológico, na zona leste de São Paulo, foi soterrada por entulho descartado de forma ilegal. Cortado por um córrego que também foi aterrado pelo lixo, o terreno, às margens do km 17 da Rodovia Ayrton Senna, está ao lado do novo Centro de Treinamento (CT) do Corinthians, em obras desde o ano passado.
Os moradores vizinhos acusam o clube de futebol de fazer os despejos ilegais. Ontem, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente informou ter autuado duas vezes o Corinthians por "movimentação ilegal de terra" - a primeira vez no dia 27 de novembro e a segunda, ontem. Segundo o governo estadual, o clube também não tem licença ambiental para executar as obras e deverá ser novamente autuado hoje, agora pela Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb). O crime ambiental está sob investigação pelo inquérito policial 53/10, da Delegacia Estadual de Meio Ambiente.
Apesar das suspeitas, nenhum funcionário da obra do Corinthians foi flagrado pela Polícia Ambiental jogando entulho no terreno vizinho. A Subprefeitura de Itaquera também diz tentar localizar, sem sucesso, os responsáveis pelos despejos. O órgão informou que o Corinthians tem autorização da Secretaria Municipal do Verde para fazer a contenção de um barranco na área e o clube nunca foi autuado por jogar entulho de forma ilegal na região. "Já fizemos plantão de madrugada para flagrar responsáveis pelo descarte, mas nunca ninguém foi visto", informou a assessoria da subprefeitura.
Proteção. O trecho foi transformado em área de preservação permanente em fevereiro. Na época, o governo estadual anunciou que 29 policiais fariam a patrulha no local. "É inacreditável que quem faz a gestão do parque não esteja vendo quem joga entulho dentro, naquela várzea do rio. Um parque requer proteção e, se tem uma obra acontecendo dentro dele, a fiscalização deveria ser ainda maior da Cetesb", reclama Márcia Hirota, ambientalista da SOS Mata Atlântica.
Para lembrar
A impermeabilização da várzea do Rio Tietê foi apontada pelo governo do Estado em fevereiro como a principal causa das inundações nos Jardins Pantanal e Romano, localizados ao lado do manancial. Para proteger essa área às margens do rio contra novas ocupações e o descarte irregular de entulho, a área de proteção da várzea foi ampliada da Barragem da Penha até Itaquaquecetuba, saltando de 71 mil metros quadrados para 123 mil metros quadrados. No total, 29 guardas da Polícia Ambiental fiscalizam o novo perímetro em ações diárias.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100528/not_imp557840,0.php
Corinthians também diz ser vítima do lixo ilegal
Joaquim Grava, médico do clube e responsável pela obra do CT, afirma desconhecer quem faz o descarte e conta que ele ocorre de madrugada
Responsável pelas obras do futuro Centro de Treinamento do Corinthians, o médico Joaquim Grava afirma que o clube também é vítima dos despejos irregulares de entulho na várzea do Rio Tietê, na zona leste, em área dentro do Parque Ecológico. As montanhas de lixo que se acumulam no terreno vizinho ao canteiro de obras corintiano não foram depositadas pelos funcionários que trabalham na obra do CT, afirmou Grava ao Estado.
O médico também diz ter licença do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) para fazer o empreendimento no terreno cedido pelo Estado ao Corinthians em 1994, pelo período de 50 anos. "Nós mesmo queríamos fazer a remoção do entulho e já estávamos fazendo. Talvez por isso os moradores viram caminhões nossos lá. O terreno não é do Corinthians e nunca o clube depositou lixo naquele local", argumentou o médico, que vê articulação da oposição à diretoria corintiana nas acusações. "Já ligamos até para o (governador) Alberto Goldmann para entender o que está acontecendo. Fizemos um programa na TV no fim de semana, com o Neto e o Ronaldo, apresentando o CT, e de repente aparecem essas denúncias infundadas. No futebol essas retaliações sempre acontecem", afirmou.
O médico confirma ter recebido duas notificações, da Polícia Ambiental e da Cetesb, mas diz que os órgãos constataram que tudo estava "em ordem" na obra. "A polícia fez uma notificação e um boletim de ocorrência. A advertência foi hoje (ontem). Mas não existe, como esses órgãos puderam observar, nenhuma irregularidade", disse Grava.
O médico diz desconhecer quem faz o descarte de entulho no terreno vizinho ao CT. "Já contaram para mim que uma vez chegaram cem caminhões de uma vez durante a madrugada. Isso ocorre sempre de madrugada, não dá para nossos funcionários saberem quem são os responsáveis pelo crime."
Sem multas. Joaquim Grava ressalta também que o clube nunca foi multado por irregularidades na obra do CT, apesar das notificações da Polícia Ambiental terem virado um inquérito na Delegacia Estadual de Meio Ambiente. "Eu sou médico, não sou engenheiro. O que estou fazendo ali na obra é um bem para São Paulo, para o Brasil. Jamais cometeríamos infração ambiental, pelo contrário. Nossa obra é um modelo de sustentabilidade, feita só com material metálico e projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake", completou. / D.Z.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100528/not_imp557850,0.php
OESP, 28/05/2010, Metrópole, p. C1, C3
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