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Monitoramento tem limitações

OESP, Vida, p. A22
28 de Jan de 2008

Monitoramento tem limitações
Sistema Deter não capta o que acontece sob as nuvens

Usado pelo governo federal para definir ações de fiscalização adotadas na Amazônia, o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) foi projetado para identificar clareiras na floresta, indicando a dinâmica da devastação, e não para medir a quantidade de área desmatada.

Isso se deve à natureza do programa. Ele não capta o que acontece sob as nuvens - situação freqüente, tratando-se da maior floresta úmida do mundo. Além disso, capta imagens em quadros de 250 por 250 metros, o que, na prática, é dizer que observa áreas abertas com pelo menos 25 hectares.

A limitação do Deter pede uma extrapolação do resultado - por isso, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que administra o sistema, estima um desmatamento de cerca de 7 mil km2 com base nos 3.235 km2 efetivamente observados entre agosto e dezembro de 2007.

O fundo dessa estimativa é uma mudança observada na dinâmica do desmatamento nos últimos anos. Se antes a ação acontecia em grandes áreas concentradas, como Terra do Meio (PA), ela agora acontece em muitas áreas menores, espalhadas por vários municípios.

O governo de Mato Grosso, Estado que teve 1.786 km2 de desmatamento, segundo dados do Deter, questiona a metodologia usada pelo Inpe. Em 113 pontos de áreas desmatadas indicados pelo Deter de abril a setembro de 2007, uma aferição em campo, numa operação conjunta da Secretaria do Meio Ambiente de Mato Grosso e do Ibama, 80,53% teriam se revelado áreas abertas antigas, que não sofreram corte raso no período apontado pelo Deter.

Dados mais precisos

Outro sistema do Inpe monitora também a Amazônia, o Prodes. É ele que fornece as informações sobre a área desmatada no ano. Com dados mais precisos, registra imagens em quadros de 100 por 60 metros e consegue captar alterações na vegetação, como desmatamentos a partir de 6 hectares. Mas o satélite que gera dados para o Prodes não passa com freqüência sobre a região. Os do Deter passam todos os dias sobre a Amazônia.

O Modis, aparelho que obtém os dados para o Deter, também é usado no sistema SAD, gerado e mantido pela ONG Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Com divulgação mensal, observa a ação em Mato Grosso e no Pará. Pelas mesmas limitações técnicas, o Imazon também realiza estimativa com base nas clareiras observadas. C.A.

OESP, 25/01/2008, Vida, p. A22

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