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Monitoramento permanente em áreas de manejo da Floresta Amazônica tem apoio do Ibama

O Rio Branco-Rio Branco-AC
Autor: Pedro Paulo
11 de Mar de 2003

Técnicos do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) acreditam que só a exploração manejada de forma sustentável garantirá que os estimados 45 bilhões de metros cúbicos de madeira da Floresta Amazônica continuem em pé e permitam ao Brasil dominar o comércio internacional de madeira tropical neste século, tendo em vista a vertiginosa queda do estoque do produto asiático. A engenheira florestal do (Ibama- AC), Hermínia Maria Pamplona Ribeiro, diz que em decorrência do uso incorreto da floresta, o continente asiático entrou em exaustão e com isso perdeu parcela expressiva de mercado.

De acordo com Hermínia, para atingir a meta, no entanto, considerando que o desempenho do Estado foi tímido em 2002, "todos precisam conhecer o padrão e a dinâmica de crescimento da floresta explorada por plano de manejo sustentável - indispensável para desenvolver modelos de exploração adequada dos recursos florestais". Com este objetivo, o MMA/Ibama traçou três linhas de ação: implantar uma rede de Inventário Florestal Contínuo (IFC); divulgar e atualizar a base técnica sobre o comportamento da floresta pós-exploração manejada; e revisar e aperfeiçoar a metodologia para o manejo florestal sustentável.

Novas diretrizes permitirão à diretoria de florestas do Ibama informar com exatidão

Por que a floresta é mais rentável em pé do que no chão? Como ocorre a recuperação da floresta para os próximos cortes de árvores depois da exploração manejada? Quais as técnicas de manejo mais adequadas para garantir a sustentabilidade da exploração e a perenidade das madeiras? Que métodos adotar para evitar a extinção local e a erosão genética das espécies, apressar o ciclo de crescimento e a intensidade de corte das árvores? Quais as modificações ecológicas pós-exploração e o tempo correto para novos cortes? Qual a intensidade ideal de exploração manejada para garantir a sustentabilidade da floresta e a continuidade de geração de benefícios ecológicos, econômicos e sociais por ela proporcionados? Por que o manejo é indispensável para garantir que as árvores continuem em pé?
As respostas das perguntas acima são algumas das muitas que deverão estar disponíveis para a sociedade dentro de cinco anos, a partir da implantação da Rede de Inventário Florestal Contínuo (IFC). Um esforço pioneiro do MMA/Ibama, através do programa Promanejo (PPG-7), para aperfeiçoar, unificar e padronizar as normas e os procedimentos técnicos do manejo florestal, tornando-o economicamente viável, desde que ecologicamente aceitável, e aprovado pelo conselho gestor do Promanejo de cada Estado, disse a engenheira florestal Hermínia, que atua no ramo de manejo no Acre a mais de uma década.

Segundo a analista ambiental, serão monitoradas diversas áreas da Amazônia submetidas a manejo florestal - base para o aperfeiçoamento das metodologias do uso sustentável da floresta e de subsídios de políticas públicas coerentes para o setor. As pesquisas sustentarão o primeiro banco de dados com informações unificadas de todos os parceiros envolvidos na rede para permitir ao governo revisar e aprimorar constantemente as normas técnicas para manejo florestal, adequando-as às peculiaridades de cada pólo de desenvolvimento da região amazônica.

Para gerenciar a rede, que deverá estar totalmente implantada em dois anos, a diretoria de Florestas, através do Promanejo, criou um grupo de trabalho integrado por instituições com grande experiência em monitoramento de florestas pós-exploração: Embrapa (AM, PA e AC), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Instituto do Meio Ambiente e do Homem da Amazônia (Imazon), Universidade Federal do Amazonas (Departamento de Ciências Florestais), Faculdade de Ciências Agrárias do Pará e consultores independentes representados por empresas madeireiras certificadas.

Segundo o diretor nacional do Ibama, Antonio Carlos Hummel, embora várias instituições venham fazendo pesquisas neste sentido, como a Embrapa, as informações são fragmentadas, comprometendo a troca e a disseminação dos seus resultados. Ele reconhece que apesar do grande avanço dos estudos em manejo realizados há mais de duas décadas na Amazônia, ainda falta suporte técnico para embasar aspectos ecológicos inerentes ao processo de recuperação da floresta manejada para os próximos ciclos de corte das árvores.

Madeira e cipó do Daime são maioria em autorização
No Acre, segundo Hermínia, durante o período do verão, quando é permitida a liberação de autorização para exploração florestal, foram autorizados em 2002, 215.164,5 m³ de madeira, e 7.616,175 kg do cipó Jagube. Sendo que parte deste material foi objeto de consumo no Estado, em rituais do Santo Daime. Outra parte da matéria-prima segundo ela, foi levada para fora do Acre por intermédio de Seitas Espíritas, que trabalham utilizando a matéria-prima durante rituais religiosos. Ela disse também que, para ter acesso à autorização, os "Centros" precisam ser registrados no IBAMA.

O Brasil possui um terço das florestas tropicais do mundo. A Amazônia Legal abrange uma área de 4,8 milhões de quilômetros quadrados, cobertos com 285 milhões de hectares de floresta nativa, dos quais 246 milhões de hectares são produtivos. É a maior riqueza extrativa da Amazônia.

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