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Miséria e álcool matam em aldeia

Diário de MS-Campo Grande-MS
Autor: Waldemar Gonçalves - Russo
18 de Mai de 2005

Casal com quatro filhos morava em pequeno barraco na aldeia Bororó; mulher morreu após beber a noite toda

Barracos onde moram família de índia que morreu domingo de tanto beber cachaça na reserva de Dourados

O alto consumo de bebida alcoólica aliada à miséria seria a causa da morte de uma mulher índia que morava na aldeia Bororó, em Dourados.
Lurdes Batista, 31, morreu domingo no barraco onde morava com o marido e quatro filhos com idades entre 6 e 13 anos.
De acordo com o que foi apurado pela reportagem e pela Polícia Civil que compareceram ao local para averiguar a informação sobre a morte, Lurdes teria morrido por "overdose de cachaça", após ter passado a noite inteira de sábado e parte da manhã de domingo bebendo com o companheiro.

Lurdes Batista foi encontrada morta pela filha mais velha, na "tarimba" (cama improvisada) existente no interior do barraco de lona, montado em um pequeno terreno da aldeia Bororó.

A garota confirmou que seus pais, Izaltino Fernandes e Lurdes Batista, passaram a noite inteira e parte da manhã bebendo pinga. Alcoolizada, a mulher foi dormir.

Sabendo que a mãe estava dormindo, a adolescente foi ao barraco e encontrou Lurdes morta. Avisado, o capitão da aldeia, Luciano Arévalo chamou a polícia, pois havia suspeita de que Lurdes Martins tivesse sido assassinada pelo companheiro. A suspeita foi descartada.

Como o corpo havia sido removido por ordem de funcionários da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), o local da morte foi desfeito e os policiais e jornalistas puderam apenas constatar a miséria existente no local. Para se alimentar, a família de Izaltino Fernandes tinha apenas arroz e macarrão, preparados juntos em uma panela velha e suja.

No local foi também apurado que todos os integrantes da família dormiam juntos na mesma tarimba e a improvisada cozinha foi construída ao lado da casa de lona.

Com relação à morte de Lurdes Martins, havia a suspeita de que ela teria sido enforcada pelo companheiro. Entretanto, essa hipótese foi descartada e somente o laudo do médico legista poderá definir as causas da morte, embora extra-oficial tenha sido constatado que a mulher sofreu uma parada cardiorrespiratória em função da grande quantidade de bebida alcoólica.

"Infelizmente, a venda de bebidas alcoólicas e de drogas para os índios ainda é grave graves e está muito difícil de ser combatida aqui dentro da reserva", disse um das lideranças da comunidade, lamentando mais uma morte em razão do alcoolismo.

O delegado titular do 1o Distrito Policial, José Lázaro Ribeiro, informou que vai aguardar os resultados finais do laudo médico para decidir se baixará uma portaria para apurar a morte.

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