JB, Pais, p.A3
16 de Set de 2004
Ministros querem MP para plantio de soja transgênica
Romoaldo de Souza
Os ministros da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e da Agricultura, Roberto Rodrigues, decidiram montar uma operação para convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a editar uma medida provisória, liberando a plantação de grãos geneticamente modificados. A razão: está próximo o período de plantio nos Estados da Região Sul.
Ontem, depois de se reunir com os dois ministros, representantes de agricultores e de cooperativas do Rio Grande do Sul saíram do Palácio do Planalto com a missão de convencer os senadores dos Estados onde ocorre maior incidência do plantio de transgênicos a aprovarem a Lei de Biossegurança. Por haver sido modificado pelos senadores, o projeto terá de retornar para una nova votação na Câmara.
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetagri), Ezídio Pinheiro, lembrou que em 1992, o presidente Lula ''tomou coragem e editou medida provisória, liberando a comercialização dos transgênicos''. Ainda segundo o agricultor, o presidente repetiu o gesto de coragem no ano seguinte, quando liberou o plantio.
- Pelo que ouvimos do ministro Rebelo, o presidente Lula só não editou, ainda, a medida provisória porque o Executivo não quer tirar a responsabilidade do Congresso - garantiu Pinheiro.
O presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul, Rui Polidoro cobrou, do ministro Aldo Rebelo empenho nas negociações no Congresso:
- Um Estado produtor como o Rio Grande do Sul não pode ficar a mercê de decisões políticas.
Para o representante das cooperativas agropecuárias, a medida provisória ou o projeto de lei da Biossegurança são apenas formalidades.
- No Sul vai ter plantio de qualquer jeito porque 90% das sementes de soja são geneticamente modificadas e os agentes financeiros só estão esperando as normas legais para se adequar às normas do projeto ou da MP - afirmou.
JB, 16/09/2004, p. A3
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.