A Critica, Cidades, p.C1
12 de Nov de 2003
Ministro defende união dos países
No Foro Ibero-americano, que reuniu empresários, intelectuais, acadêmicos e representantes de países ibéricos e latino-americanos, Dirceu declarou que "não é possível imaginar-se o futuro da América Latina sem os Estados Unidos, mas também não é possível os Estados Unidos permanecerem nessa postura hegemônica".
Apesar de dizer que a idéia ainda é uma "heresia" na região, Dirceu defendeu a integração militar da América do Sul. Segundo relato do jornal "O Globo", o chefe da Casa Civil disse que, se os países da América Latina não se unirem para ajudar a Colômbia, que há 40 anos enfrenta a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), "os Estados Unidos ocuparão a Colômbia. E, se ocuparem, não sairão de lá jamais. Isso quer dizer que estarão ocupando a Amazônia", afirmou. Os Estados Unidos são os principais aliados do governo da Colômbia no combate às Farc. São eles que financiam o Plano Colômbia, que é o principal programa militar e econômico de combate à guerrilha e ao narcotráfico. Viegas afirmou desconhecer que os Estados Unidos tenham a intenção de invadir a Amazônia colombiana: "Não conheço nenhum propósito das Farc de invadir o território brasileiro."
Para tentar amenizar o impacto das declarações do ministro-chefe da Casa Civil, José Viegas afirmou que o Brasil está conversando com os vizinhos sobre a formação de uma espécie de "pool de compradores" para baratear os custos de aquisição de equipamentos militares, como aviões e carros de combate. Mas disse que as conversas estão em estágio inicial.
Sem recursos
Na verdade, o Ministério da Defesa tem poucos recursos para comprar novos equipamentos. A maior parte de seu orçamento está comprometida com o pagamento de salários. Segundo Viegas, cerca de 50% dos equipamentos do Exército, da Aeronáutica e da Marinha não estão em condições de ser utilizados. `Cinqüenta por cento (dos equipamentos) estão impossibilitados de voar (no caso da Aeronáutica) e de navegar (no caso da Marinha)." O ministro disse que hoje vai se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar, entre outras coisas, do Orçamento de sua pasta para 2004. "Precisamos de mais dinheiro, mas não é para jogar bomba em ninguém", afirmou Viegas. Segundo ele, "Forças Armadas bem preparadas e o incentivo à indústria de defesa não são perdas de recursos, e sim ganhos para qualquer país", declarou.
A Crítica, 12/11/2003, p. C1
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