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Mineração de ouro agrava disputa por terras e ameaças de morte: "Fomos intimidados"

UOL - https://noticias.uol.com.br/cotidian
03 de Mai de 2018

Mineração de ouro agrava disputa por terras e ameaças de morte: "Fomos intimidados"

Gabriela Fujlta
Do UOL, em São Paulo 03/05/2018 04h00

Considerada uma vitória para ativistas de movimentos sociais no Pará, a recente desistência de um financiador do projeto Belo Sun para a extração de ouro no interior do estado é também motivo de preocupação.
A empresa canadense Agnico Eagle Mines Ltd., uma das acionistas do empreendimento que pode vir a ser a maior mina de ouro do Brasil, anunciou no dia 20 de abril que iria vender sua parte, que representa 19,14% do negócio.
Conforme noticiado pela "Folha de S.Paulo" (https://wwwl.folha.uol.com.br/colunas/monicaberoamo/2018/04/mineradora- vendera-acoes-de-belo-sun-depois-de-abaixo-assinado-na-internet.shtmn. a companhia recebeu uma petição online da Avaaz, com mais de 700 mil assinaturas, contra a exploração de ouro no local. No comunicado, porém, não foi informado o motivo da desistência.
"A gente não sabe qual vai ser a repercussão disso, estamos aqui já apreensivas", diz Raquel (nome fictício), integrante do Movimento Xingu Vivo para Sempre, que refuta a atividade da Belo Sun na região. "Para nós, é uma grande vitória, mas, para o nosso trabalho com as comunidades ameaçadas contrárias ao projeto, pode acabar sendo negativo", afirma, se referindo a um possível aumento das pressões contra os ativistas.
A entidade da qual Raquel faz parte é um conjunto de organizações civis, sociais e ambientalistas.
Ela prefere não ter a identidade revelada na reportagem por medo de possíveis retaliações. Afirma que já foi ameaçada de morte por pessoas que apoiam a instalação do projeto de mineração nas proximidades da Vila Ressaca, no município de Senador José Porfírio (830 km de Belém), onde ela trabalha com a população local.
"Nós fomos convidadas [ela e sua equipe] para informar alguns moradores sobre o que é Belo Sun. Eles não tinham nenhuma informação, e a empresa já estava agindo de forma drástica na vida dessas pessoas, comprando terras ilegais, entrando nos seus lotes agrários sem pedir licença", ela diz.
Em março de 2017, a equipe começou uma campanha de orientação a ribeirinhos e produtores rurais na área onde a canadense Belo Sun tenta se estabelecer, com investimentos estimados em R$ 5 bilhões. A vila fica longe da sede do município e o acesso é bem difícil até lá.
Atualmente, a licença de ir Federal (http://wwwl.folha.uol.com.br/mercado/2017/04/1874966-iustica-suspende-
Tensão herdada de Belo Monte
Nessa região do Brasil, onde vivem comunidades de agricultores, pescadores e indígenas, o clima de disputa por terras existe pelo menos desde a instalação da hidrelétrica de Belo Monte (distante 13 km da Vila Ressaca), no rio Xingu. A situação piorou com a chegada de Belo Sun, segundo afirmam Raquel e a Vara Agrária da Defensoria Pública de Altamira (que fica a duas horas de carro).
De um lado, apostando nas promessas de "progresso" e melhorias de infraestrutura, está o grupo que defende a instalação da mina; do outro, os que temem um desastre social e ambiental, por conta do deslocamento de famílias e do refugo resultante da exploração mineral.
A Defensoria Pública em Altamira, cidade com acesso mais fácil até a Vila Ressaca, recebeu ao menos duas denúncias de pessoas que vivem na comunidade sobre agressões verbais e físicas e ameaças de morte por terem feito críticas à instalação do projeto.
"O grupo de interesse favorável ao empreendimento tem agido com certa violência contra aqueles que estão buscando mais informações ou estão contestando as informações sobre o que será gerado pelo empreendimento", explica a defensora pública Andreia Macedo Barreto. "Virou uma situação de confronto. As pessoas empurram, ameaçam matar, são ameaças expressas, com vídeos gravados. Isso é crime."

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/05/03/miner…

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