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Minc quer contrapartida por atraso em diesel limpo

OESP, Vida, p. A22
26 de Jul de 2008

Minc quer contrapartida por atraso em diesel limpo
Combustível com menos enxofre só vai estar disponível no fim de 2010, afirmam montadoras; empresas culpam Agência Nacional do Petróleo

Alexandre Gonçalves e Cleide Silva

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirma que não vai atrasar, sem uma "contrapartida proporcional", o prazo para a Petrobrás e as montadoras reduzirem a quantidade de enxofre emitida pelos veículos a diesel. As metas deveriam ser cumpridas no início do próximo ano, de acordo com a Resolução 315, de 2002, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

As empresas e a Petrobrás já deixaram claro que não vão conseguir atender às novas normas. Mas também relutam em aceitar as contrapartidas exigidas pelo governo porque alegam que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) não cumpriu sua parte ao divulgar as especificações do novo diesel só em outubro do ano passado (deveriam estar prontas em 2005).

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) baseia-se na Lei 8.723, de 1993, que obriga a autoridade responsável (no caso, a ANP) a especificar o combustível de referência - descrever propriedades químicas e físicas - com antecedência de três anos antes da entrada no mercado. No mínimo, só no fim de 2010 os novos veículos chegariam ao mercado.

Ao Estado, o ministro afirmou que a Resolução 315 não vincula o cumprimento das metas à adoção de um novo combustível. "O erro da ANP não justifica o não-cumprimento da Petrobrás e das montadoras." Minc diz que as empresas deveriam trabalhar com as especificações européias (que basearam a resolução da Conama).

Para atender à redução de poluentes, o diesel brasileiro deveria conter 50 partículas por milhão de enxofre (S50). Hoje, tem 500 partículas no produto vendido nas grandes metrópoles (S500) e 2.000 nas cidades do interior (S2000).

O ministro considerou "muito tímidas" as propostas de minimização do impacto do atraso feitas pela Anfavea e pela Petrobrás em uma reunião na segunda-feira.

Segundo o ministro, elas incluíam medidas como a adoção de combustível S1800 nas cidades do interior, que respondem por 70% da frota.

Haverá outra reunião no dia 5. O ministro afirma esperar "propostas mais efetivas". Ele também pondera que qualquer acordo deverá contar com a participação do Ministério Público e dos Estados mais afetados.

A ANP alega que já cumpriu seu papel ao divulgar a norma para os combustíveis no ano passado. E acrescentou que cabe ao MMA decidir se prorroga o prazo para as montadoras adaptarem seus motores.

A Petrobrás informou que não vai comentar o assunto.

Emissões em Cubatão caíram 98,9% desde 1983

Rejane Lima

Vinte e cinco anos após o início do programa de recuperação ambiental de Cubatão que consumiu mais de US$ 1 bilhão, um estudo revelou que a quantidade de fumaça e poeira emitida pelas empresas do pólo industrial da cidade diminuiu 98,9% desde 1983, mesmo com a produção crescendo 39% nos últimos dez anos. Elaborado pelo consultor Eduardo San Martin a pedido do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Cubatão, o trabalho foi apresentado ontem. A pesquisa mostra que a emissão de amônia, por exemplo, diminuiu 99,4% no período, de 3,5 mil toneladas para 20 t por ano e que a quantidade de hidrocarbonetos despejados anualmente caiu 95,7%, de 32,8 mil toneladas para 1,3 mil t.

Mas o controle de poluentes não foi suficiente para melhorar a qualidade do ar respirado na cidade. Segundo Elio Lopes do Santos, ex-gerente da Cetesb, em 2007 os níveis de material particulado na região industrial de Cubatão atingiram 108 microgramas de partículas por m3 de ar, quando a quantidade máxima permitida pela Organização Mundial da Saúde é de 50 microgramas e os níveis de ozônio no centro da cidade ultrapassaram cinco vezes o máximo recomendado.

"Houve uma melhora significativa, no entanto, há uma preocupação quanto à qualidade do ar: uma coisa é controle da poluição e outra é qualidade do ar. Nós não podemos sair por aí comemorando porque ainda tem muita coisa a se fazer."

OESP, 26/07/2008, Vida, p. A22

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