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Minc: empresas vão adotar reservas 'forever'

O Globo, O País, p. 12
01 de ago de 2008

Minc: empresas vão adotar reservas 'forever'
Setor privado bancaria manutenção de áreas ambientais federais

Bernardo Mello Franco e Rafael Galdo

Após admitir a penúria de suas 299 reservas ambientais, o governo decidiu recorrer à iniciativa privada para financiar despesas de manutenção das áreas, como a compra de combustível para veículos de fiscalização. A orientação foi dada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ao empossar ontem o presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello, ele prometeu dar impulso à adoção de reservas por empresas e acelerar a privatização de florestas, com a licitação de 16 áreas até o fim de 2009 para a exploração de madeira certificada.
O modelo de adoção já está em estudo. A idéia é criar um mecanismo para manter as unidades sob gestão pública, mas com dinheiro privado.
Minc disse que o plano não se limitará a doações eventuais:
- Acabou essa história de que proteger reserva é só com o meio ambiente. O setor produtivo vai adotar os parques. E não é ajudar um pouquinho, não: é adotar forever (para sempre), pagando a proteção, a gasolina dos carros e os computadores.
Minc alertou para o aumento na devastação nas áreas protegidas da Amazônia, noticiado pelo GLOBO. Um cruzamento de dados do Ibama com medições por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostrou que, no ano passado, 22,6% do desmatamento da floresta ocorreram em reservas ambientais ou terras indígenas:
- É uma situação insustentável. A preservação dessas áreas é de nossa responsabilidade.
Rômulo Mello prometeu distribuir um termo de adoção aos gestores de reservas. E disse que confiar ao instituto a responsabilidade integral pelas unidades é condená-las.
- Preservar as unidades é um desafio que não podemos enfrentar sozinhos. Não vou ficar com um cadáver no colo.
O presidente Lula assina hoje, na sede do BNDES, no Rio, o decreto de criação do Fundo Amazônia, que captará recursos de doações para investimentos em ações de combate ao desmatamento no bioma amazônico. No primeiro ano, o limite de contribuições será de aproximadamente US$ 1 bilhão. O primeiro aporte, do governo da Noruega, de cerca de US$ 100 milhões, deve ser feito em setembro. O banco será responsável pela captação e gerência das verbas, além de acompanhar os projetos.
Um comitê com representantes do Ministério do Meio Ambiente, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, dos estados da Amazônia Legal e da sociedade civil opinará sobre que tipo de projeto deve ser priorizado.
Mas, segundo o Departamento de Meio Ambiente do BNDES, a palavra final será do banco.

O Globo, 01/08/2008, O País, p. 12

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