O Globo
22 de Mai de 2008
Minc: desmatamento aumentou
Em resposta a Maggi, ministro diz que Mato Grosso é maior responsável por avanço da devastação
Túlio Brandão e Anselmo Carvalho Pinto
Rio e Cuiabá
O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Mine, antecipou ontem dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que indicam um avanço significativo no desmatamento da Amazônia, especialmente em Mato Grosso. As informações, referentes a abril, foram extraídas do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). Os números negativos foram anunciados como resposta à oposição pública do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), às idéias do ministro, entre as quais a criação de uma Guarda Nacional formada por PMs de diversos estados para proteger a Floresta Amazônica.
- Na próxima segunda, o Inpe vai divulgar dados estatísticos de desmatamento em tempo real. Vai ser um dado ruim, de aumento. E, para variar, mais de 60% em que estado? Em Mato Grosso - disse o ministro.
De acordo com a assessoria do Inpe, o sistema Deter, divulgado mensalmente, é sujeito a imprecisões por não ter resolução suficiente para identificar desmatamentos menores que 25 hectares e sofrer com a influência das nuvens. Nem toda área de corte de árvores é identificada. Segundo o instituto, a possibilidade de observação em Mato Grosso aumentou muito de março para abril, já que apenas 14% da área daquele estado esteve sob nuvens no mês anterior.
O levantamento de desmatamento mensal é feito pelo Inpe desde maio de 2004, com dados do sensor Modis, do satélite Terra/Aqua, e do Sensor WFI do satélite CBERS, de resolução de 250 metros. Segundo o instituto, há uma possibilidade remota de os dados completos do mês de abril serem divulgados amanhã.
Governo de MT estranha dados
No último levantamento do Deter divulgado pelo Inpe, relativo a março, mais da metade dos pontos de desmatamento identificados na Amazônia já estavam em Mato Grosso - 27 de 52. Minc disse ontem, durante entrevista de apresentação da nova secretária do Ambiente do Rio, Marilene Ramos, que Maggi terá que assumir responsabilidades com o presidente Lula. O presidente já teria autorizado Minc a solicitar aos governadores o uso da PM no combate a crimes ambientais.
- Estou chegando agora, não quero criar polêmica. Eu conversei inicialmente sobre o Exército. O ministro Tarso Genro (Justiça) sugeriu o outro caminho (da PM), explicou que era mais simples. Levamos a questão ao Lula, que deu o OK. A partir de agora, o Blairo não deve brigar comigo, e sim com o presidente Lula, que já bateu o martelo - afirmou o novo ministro.
O governo de Mato Grosso reagiu à declaração de Minc sobre o aumento do desmatamento. O secretário-adjunto de Qualidade Ambiental, Salatiel Alves de Araújo, estranhou a divulgação dos dados pelo novo ministro:
- Essas informações são estranhas. Estão totalmente desconexas com a metodologia utilizada pelo Inpe. Estamos averiguando para saber que números novos são esses.
Segundo Araújo, o Inpe não tabulou o desmate dos primeiros meses de 2007, o que impediria comparação com o mesmo período em 2008:
- Ele (Minc) fala em aumento nos primeiros cinco meses do ano, mas maio nem terminou. É estranho.
O governo de Mato Grosso insiste que, ao contrário do que tem sido informado, o desmatamento no estado diminuiu nos últimos cinco anos. Em seu favor, usa os números do Inpe consolidados pelo Prodes, de monitoramento da Amazônia por satélite. Segundo o Prodes, a área devastada no estado caiu de 11.814 km² entre 2003 e 2004 para 2.476 km² entre 2006 e 2007. Os dados são de agosto a agosto.
O secretário também contesta a divulgação pelo ministério de dados do Deter, como dados consolidados:
- O Deter serve para mostrar indícios de desmatamento. O Prodes é o número final, com o qual dá para fazer comparações entre um ano e outro.
O Globo, 22/05/2008
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